Estrutura patriarcal e institucionalização de crianças e adolescentes
instituição, de uma presença masculina no cuidado, mas são os avós que estão
por trás do cuidado com as crianças adolescentes. Tenho muitas crianças que
não têm o registro da paternidade, então, sem sombra de dúvida, o fator
feminino sobressai (Entrevistada 4, 2024).
As mulheres não só são responsabilizadas pelo cuidado, como também pelo “não
cuidado” que gerou a perda do poder familiar. Das oito entrevistadas, cinco apontam que as
genitoras são as mais responsabilizadas, e três afirmam que são os dois. Cabe destacar que não
houve respostas em que o genitor sozinho foi o principal responsável no processo de
acompanhamento. A ausência dos genitores é citada nas entrevistas em relação aos casos em
que não há registro paterno e que não conhecem o genitor, conforme apontado pela entrevistada
4.
A figura feminina é sempre a mais responsável pela falta de cuidado, e isso
não só vem da família, é todo um histórico familiar que considera a mulher
sempre como a culpada, a que faltou com o cuidado. Tem um caso que atendo
que o pai está em cena, mais do que a mãe. Só que o pai sempre entra em cena
culpando a mãe e quando eu atendo uma mãe, ela não culpa o pai, ela tenta de
todas as formas tirar a criança da instituição, então ela arruma o emprego, ela
mantém os horários, agora o pai não, ele tem essa questão de culpar
(Entrevistada 4, 2024).
Como o acolhimento institucional tem o caráter provisório, sendo uma medida de
proteção no momento em que crianças e adolescentes se encontram em risco físico/psicológico,
os técnicos devem buscar o retorno para a família nuclear, extensa ou substituta. O trabalho
com as famílias das crianças e adolescentes institucionalizados é realizado com os dois
genitores, mesmo que não estejam juntos, avaliando o vínculo e o comprometimento, buscando
fazer a reaproximação das crianças e adolescentes. Nesse processo de tentativa de
reaproximação com os genitores, cinco das entrevistadas apontam o predomínio da participação
feminina, na condição de mães, avós e tias.
98
A maior reaproximação geralmente é com as mães. Tem situações que o pai
realmente não quer o compromisso, ele já não tem vínculo com o filho, ele já
não tem vínculo mais com a mãe. Há aquele que vive dominado pelo
machismo, tem uma dificuldade maior em aderir às direções, então ele não é
tão presente nos chamamentos. As mulheres, por outro lado, vão abraçando
mais e acabam sendo mais próximas e mais frequentes (Entrevistada 7, 2024).
A mãe, com certeza, é muito mais presente. Quando não a mãe, a avó ou a tia.
Sempre a figura feminina. [Há casos em que] o convívio com a genitora não
ocorreu ou foi só na primeira infância. Mas as mulheres da família, seja na
família extensa, seja uma madrinha, [quem faz a aproximação] sempre são as
mulheres (Entrevistada 1, 2024).
Aqui acompanhamos apenas uma família em que os dois genitores são
presentes. E aí conseguimos cobrar mais dos dois de forma igual, apesar do
genitor ser pai só de uma filha e a mãe ter mais duas crianças aqui na
instituição. Nos demais casos, a gente acompanha mais a mãe. Os pais são
Libertas, Juiz de Fora, v. 26, n. 1, p. 86-109, jan./jun. 2026. ISSN 1980-8518