DOI 10.34019/1980-8518.2023.v23.41293  
Ruptura metabólica no capitalismo: a urgência  
do proletariado ambiental no enfrentamento à  
crise ecológica  
Metabolic rupture in capitalism: the urgency of the environmental  
proletariat in facing the ecological crisis  
Nicole Alves Espada Pontes*  
Resumo:  
O
artigo busca evidenciar  
a
Abstract: The article seeks to highlight  
environmental destructiveness due to capitalist  
dynamics, based on theoretical and  
documentary research. Initially, it recovers  
important contributions from Marx to  
understand the relationship between social  
beings and nature, as well as authors who  
theoretically dialogue with this perspective,  
especially in deepening the category of  
metabolic rupture. Documents and reports  
provide important data to place this debate in  
concrete terms, by relating and highlighting  
contemporary environmental issues – which  
provokes us to recognize the contributions of  
what Foster (2020) will call the “environmental  
proletariat”. The article ends by strengthening  
the environmental debate from a Marxist  
destrutividade ambiental pela dinâmica  
capitalista, partindo de uma pesquisa teórica e  
documental. Inicialmente recupera importantes  
contribuições de Marx para compreendermos a  
relação do ser social com a natureza, bem como  
de autores/as que dialogam teoricamente com  
essa perspectiva, sobretudo no aprofundamento  
da categoria de ruptura metabólica.  
Documentos e relatórios subsidiam com dados  
importantes para situarmos esse debate na  
concreticidade, ao relacionar e evidenciar  
problemáticas ambientais contemporâneas –  
que nos provoca ao reconhecimento das  
contribuições do que Foster (2020) denominará  
de “proletariado ambiental”. O artigo finaliza  
fortalecendo  
o
debate ambiental pela  
perspectiva marxista, ao demonstrar as  
contradições que vivenciamos atualmente  
enquanto parte fundamental e estruturante do  
sistema capitalista, e ao trazer a necessidade da  
luta de classes no processo de transformação  
societária, com a urgente centralidade do  
“proletariado ambiental” nesse processo.  
perspective,  
by  
demonstrating  
the  
contradictions that we currently experience as a  
fundamental and structuring part of the  
capitalist system, and by bringing up the need  
for class struggle in the process of societal  
transformation, with the urgent centrality of the  
“environmental proletariat” in this process.  
Palavras-chaves:  
Capitalismo,  
Ruptura  
Keywords: Capitalism, Metabolic rupture,  
metabólica, Proletariado ambiental.  
Environmental proletariat.  
*
Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Serviço Social da Universidade Federal de Pernambuco, possui  
graduação em Serviço Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora, graduação em Jornalismo pelo Centro de  
Ensino Superior de Juiz de Fora e mestrado pelo Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Serviço Social da  
Universidade Federal de Juiz de Fora. Atualmente é professora substituta na Faculdade de Serviço Social da  
Universidade Federal de Pernambuco, integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Questão Ambiental e  
Serviço Social (NEPASS) vinculado à Universidade Federal de Pernambuco e acumula estudos com ênfase em  
"Questão Ambiental", “Mineração” e "Fundamentos Teórico-Metodológicos do Serviço Social".  
Revista Libertas, Juiz de Fora, v. 23, n. 2, p. 539-553, jul./dez. 2023. ISSN 1980-8518  
Nicole Alves E. Pontes  
Recebido em: 26/05/2023  
Aprovado em: 04/10/2023  
Introdução  
A natureza nos atravessa. Os alimentos que consumimos, a água que tomamos, a roupa  
que vestimos, cada material necessário para construir os locais aos quais habitamos. Atravessa  
nossos corpos; o ar que respiramos, os nutrientes que circulam em nosso organismo, nossa  
matéria que, assim como outros animais, possui elementos desse grande globo de abundante  
vida que é a Terra.  
A natureza nos atravessa em cada detalhe minucioso de nossos cotidianos, assim como  
a atravessamos. Estamos nela, somos partes dela. Sim, “que a vida física e mental do homem  
está interconectada com a natureza não tem outro sentido senão que a natureza está  
interconectada consigo mesma, pois o homem é uma parte da natureza”, já desvelava Marx  
(2010, p. 84).  
Ainda assim, existe um movimento no interior do sistema capitalista que vem  
permitindo que gestemos a destruição da natureza, portanto, nossa autodestruição. Para  
compreender esse processo em seus fundamentos estruturantes o trabalho busca, através de uma  
pesquisa teórica de base marxista, recuperar contribuições de Marx e de autores/as  
comprometidos/as com o aprofundamento do debate ambiental pela perspectiva marxista, como  
Foster (2004, 2020), Saito (2021), Foladori (2008), dentes outros/as explorando desde a  
relação essencial do ser social com a natureza, até a ruptura metabólica instaurada pelo  
capitalismo.  
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Para apoiar essa análise na concreticidade, há explanação de dados, colhidos em  
pesquisa documental recente (OXFAM, 2020; WRM e GRAIN, 2015; Ecodebate, 2021), que  
evidenciam os índices sociais e ambientais de destrutividades alarmantes que ameaçam a vida  
humana na Terra, situando a centralidade desse processo estruturalmente e apontando a  
importância de trazermos o debate sobre o “proletariado ambiental” (Foster, 2020): que  
recoloca a questão ecológica como central, e ao realizar esse movimento, resgata a importância  
de diferentes sujeitos nessa transição principalmente aqueles que ainda são resistências contra  
o avanço do capital sobre a natureza.  
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Ruptura metabólica no capitalismo: a urgência do proletariado ambiental no enfrentamento à crise ecológica  
Por fim, o trabalho fortalece a discussão ambiental pela perspectiva marxista, ao situá-  
la enquanto parte fundamental e estruturante do sistema capitalista, bem como apontando  
possibilidades de fortalecimento da luta de classes com a urgente centralidade das populações  
originárias, quilombolas, campesinas, ribeirinhas, enfim, àquelas que de alguma forma seguem  
resistindo ao avanço do capital sobre a natureza e que Foster (2020) denomina “proletariado  
ambiental”.  
Relação entre ser social e natureza à luz da teoria marxista  
A particularidade interacional da sociabilidade humana defronte a natureza é particular  
e una no reino animal: diferente das demais species, a humanidade é capaz de (re)criar o exterior  
sensível não apenas por suas necessidades restritamente instintivas, tendo a capacidade de  
idealizar e formar a partir de uma potencialidade livre, que lhe permite inaugurar leis da estética,  
da arte, da beleza. “O homem sabe produzir segundo a medida de qualquer species, e sabe  
considerar, por toda parte, a medida inerente ao objeto, o homem também forma, por isso,  
segundo as leis da beleza” (Marx, 2010, p. 85).  
Essa admirável capacidade criativa e transformadora concretiza-se a partir do  
desenvolvimento da generacidade humana que historicamente permite processos e  
transformações serem socialmente concretizados, continuados e posteriormente aprimorados.  
Ou seja, o caráter coletivo particulariza a forma humana de (re)produzir o mundo exterior, e  
concomitante, a cada indivíduo, socialmente.  
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A capacidade de (re)criar a realidade efetivamente faz, dessa forma, parte de um  
processo de construção do próprio ser social na natureza. O desenvolvimento da sociedade,  
aquilo que se ergue através do trabalho humano, o que se cria socialmente, é o produto de sua  
potencialidade enquanto ser genérico. Supõe diferentes processos de evolução e transformação  
de suas faculdades, que historicamente (re)coloca necessidade de diferentes interações e  
mediações com o mundo exterior para o estabelecimento da sociabilidade.  
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O desenvolvimento da realidade pela corporeidade humana se dá então, através de sua  
potencialidade de engendrar uma atividade livre, que evolui e complexifica-se historicamente.  
O ser social faz da sua atividade vital um instrumento da sua vontade e da sua consciência, nas  
palavras de Marx (2010), o ser social possui “atividade vital consciente” (p. 107).  
Marx (2010) desvela esse traço essencial: o homem é um ser social não só por que  
prática e teoricamente converte, tanto a si como as demais coisas objetos de seu gênero; mas  
também por que se relaciona consigo mesmo e o exterior sensível como um gênero vivo,  
universal e sobretudo, livre. “Justamente, [e] só por isso, ele é um ser genérico. Ou ele somente  
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é um ser consciente, isto é, a sua própria vida lhe é objeto, precisamente porque é um ser  
genérico. Eis por que a sua atividade é atividade livre” (Marx, 2010, p. 84).  
Considerando a atividade vital a essência de cada espécie, a atividade consciente livre é  
a característica genérica do homem. Sua vida produtiva é, assim, expressão de seu gênero  
humano. “A vida produtiva é (...) a vida genérica. É a vida engendradora de vida. No modo  
(Art) da atividade vital encontra-se o caráter inteiro de uma species, seu caráter genérico, e a  
atividade consciente livre é o caráter genérico do homem” (Marx, 2010, p. 84).  
Por isso, diz respeito a uma capacidade consciente livre, livre para criar: para além de  
seu instinto animal, tem a potencialidade una para transformar a si, sua interação com o meio  
ao qual está inserido, simultânea e consequentemente, a sociedade e o mundo como um todo.  
De fato, as criações humanas alcançaram um nível de complexidade incomparáveis a quaisquer  
outros seres vivos do planeta.  
A magnitude das mudanças as quais assistimos hoje são, portanto, fruto das  
transformações do exterior sensível que social e historicamente perpassam o processo de  
trabalho, considerando que “o trabalho é, antes de tudo, um processo entre o homem e a  
natureza, processo este em que o homem, por sua própria ação, medeia, regula e controla seu  
metabolismo com a natureza” (Marx, 2013, 326).  
Historicamente os homens vêm intervindo na natureza através de seu trabalho como  
forma de criar utilidades para (re)produzir-se, criando formas de utilizar os recursos naturais –  
que em sua forma geral e originária visa à produção de valores de uso, isto é, bens capazes de  
satisfazer precisões de algum tipo.  
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Como criador de valores de uso, como trabalho útil, o trabalho é, assim, uma  
condição de existência do homem, independente de todas as formas sociais,  
eterna necessidade natural de mediação do metabolismo entre homem e  
natureza e, portanto, da vida humana (Marx, 2013, p. 167).  
Assim, todos os avanços e evoluções que assistimos no mundo exterior correspondem a  
uma conquista da autoconstrução do ser social em seu processo de trabalho. Pode-se apreender,  
portanto, que o trabalho diante à natureza é o âmbito que materialmente possibilita a  
humanidade imprimir sua objetividade. É a realização de algo que lhe é inerente, a  
potencialidade que permite transformá-la para buscar suprir aspectos de sua (re)produção física  
e espiritual. Não se trata de uma apreensão externa ao seu ser, alheia à sua essência: é  
constituinte do desenvolvimento humano.  
Marx reconheceu a relação metabólica existente entre homem-natureza no interior do  
seu próprio desenvolvimento. Trata-se de um processo de interação, dependência e  
interconexão do ser social; que ao gerar modificações externas, modifica simultaneamente a si  
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próprio. “Agindo sobre a natureza externa e modificando-a por meio desse movimento, ele  
modifica, ao mesmo tempo, sua própria natureza” (Marx, 2013, p. 327).  
A natureza é, assim, matéria viva com a qual há reciprocidade no processo de trabalho,  
considerando que as modificações geram trocas que alteram tanto a natureza humana como a  
natureza não-humana.  
A natureza como a mãe da riqueza material fornece não apenas objetos de  
trabalho, mas também trabalha ativamente junto com os produtores durante o  
processo de trabalho. (...) O trabalho concreto, como regulador dessa interação  
metabólica permanente entre humanos e natureza, não apenas tira da natureza  
mas também devolve os produtos do trabalho, incluindo o lixo, ao mundo  
sensível (Saito, 2021, p. 132).  
O metabolismo social supõe, assim, o vínculo humano enquanto parte da natureza, pois  
necessariamente o homem relaciona-se com os recursos naturais seja direta ou indiretamente.  
É através dessa relação metabólica que ele é capaz de (re)criar o exterior sensível e,  
concomitantemente, a si mesmo. “Em outras palavras, é somente por meio da relação incessante  
com a natureza que o homem pode produzir, se reproduzir e, enfim, viver na Terra” (Saito,  
2021, p. 132).  
A forma como essa relação concretiza-se, no entanto, acompanha o movimento da  
história que não é estático, nem tampouco linear. Conforme elucidou Marx (2011, p. 13), “toda  
produção é apropriação da natureza pelo indivíduo no interior de e mediada por uma determinada  
forma de sociedade”. Diferentes modelos produtivos engendram singulares determinações sobre  
o desenvolvimento do metabolismo, considerando que o processo de trabalho em sua interação  
com a natureza vai ser determinado pela forma de produzir socialmente.  
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Ruptura metabólica sob os ditos do capital: enfrentamentos necessários  
Desde finais de 2019 até 5 de maio de 2023, a particularidade vivenciada pelo mundo  
foi de um sistema que precisou se reinventar diante da pandemia do novo coronavírus. Muitas  
atividades produtivas interrompidas. A quem restou opção de se resguardar em casa, precaução.  
Aqueles que precisaram ocupar os postos das atividades consideradas “essenciais”: o risco.  
Nesse processo assistiu-se os colapsos dos sistemas de saúde e mais de 15 milhões de vidas  
ceifadas.  
E “o impacto econômico e demográfico da disseminação do vírus depende de fissuras e  
vulnerabilidades preexistentes no modelo econômico hegemônico” (Harvey, 2020, p. 16). No  
caso da COVID-19 assistimos um banho de negacionismos em todo o globo, que convidava  
trabalhadores a continuarem se expondo, clamando que a economia não podia parar. Se por um  
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lado corriam rios de dinheiro para financiar grandes empresas, por outro as micro e pequenas  
empresas fechavam suas portas, enquanto auxílios miseráveis restavam aos trabalhadores.  
O recorte de classe que traçou panoramas de crescente desemprego, fome, desespero  
para alguns, e em polo oposto, de contínua acumulação e centralização de fortunas. De fato, em  
setembro de 2020 já era possível assistir a concretude dessa incoerência no Brasil: enquanto 13  
milhões de brasileiros continuavam sem emprego e 600 mil micros, pequenas e médias  
empresas fechavam suas portas, os 42 bilionários do país aumentavam sua fortuna em US$ 34  
bilhões (OXFAM, 2020). “Ao contrário dos que afirmam que o ‘vírus não tem classe’, a  
realidade brasileira evidencia o caráter de classe da pandemia e o poder nefasto dos interesses  
privados que movem o capitalismo” (Peixoto et al., 2020, p. 30).  
Nesse cenário estarrecedor, o sexto “Relatório de Avaliação do Painel  
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas” (Intergovernmental Panel on Climate Change  
Sixth Assessment Report) publicado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças  
Climáticas (IPCC) retoma a urgência do enfrentamento ao problema do aquecimento global. O  
relatório concluiu que desde 1850 o planeta aqueceu em média 1,1° C e que o aquecimento  
médio global pode atingir ou exceder 1,5º C nos próximos anos abrindo possibilidade de  
eventos extremos sem precedentes históricos ocorrerem. Para além, alerta que muitas  
consequências já são irreversíveis em escalas de tempo de séculos a milênios, principalmente  
referente às mudanças no oceano, nas camadas de gelo e no nível global do mar (Ecodebate,  
2021).  
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E “apesar das políticas e acordos internacionais para reverter a situação, existem forças  
sócio-econômicas que reproduzem continuamente a degradação e a depredação do meio  
ambiente externo; mas também que degradam a própria natureza humana” (Foladori, 2008, p.  
193). De fato, o fechamento da última Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças  
Climáticas - COP26, apesar de estar diante do alarde desse último relatório do IPCC, assinado  
por 234 cientistas de 195 governos e sendo realizada após 20 meses de pandemia, demonstrou  
isso: o “Pacto de Glasgow”, documento fruto da conferência, não foi capaz de trazer nenhuma  
mudança estrutural, com um real enfrentamento à situação calamitosa do planeta. (Genin,  
Frasson, 2021). Os avanços propostos, dentro de um quadro que já é irreversível só anuncia  
como é difícil retirar a destrutividade da pauta capitalista. O capitalismo é um modo de  
produção marcado, assim, pela destrutividade em diferentes esferas da vida.  
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O capital modifica as condições ambientais de sua própria reprodução, mas o  
faz num contexto de consequências não intencionais (como as mudanças  
climáticas) e contra as forças evolutivas autônomas e independentes que estão  
perpetuamente remodelando as condições ambientais. Deste ponto de vista,  
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Ruptura metabólica no capitalismo: a urgência do proletariado ambiental no enfrentamento à crise ecológica  
não existe um verdadeiro desastre natural. Os vírus mudam o tempo todo. Mas  
as circunstâncias nas quais uma mutação se torna uma ameaça à vida  
dependem das ações humanas. (Harvey, 2020, p. 15)  
Por isso a pandemia do novo coronavírus, o aquecimento global ou diferentes  
expressões da crise ambiental a qual atravessamos contemporaneamente não se referem a  
eventos excepcionais, isolados, fluxos do trabalho produtivo humano em geral, e sim reflexos  
factuais da lógica que move o capitalismo em particular.  
Em verdade, estamos diante de um sistema ímpar: a profunda separação do produtor de  
sua própria atividade reveste o modo de produção burguês com particularidades, e possibilita a  
reprodução de incontáveis contradições dentre o processo de alienação do homem com sua  
natureza essencial, considerando que o desenvolvimento das potencialidades humanas em sua  
interação com a natureza não está a serviço das necessidades do gênero humano propriamente,  
mas aos ditames do mercado que em seu frenesi alucinado atropela os próprios ciclos dos  
recursos naturais.  
O sistema capitalista simplesmente produz sem considerar a capacidade dos  
ecossistemas de reproduzir as matérias-primas que são extraídas deles. De  
outro lado, também não produz considerando a satisfação das necessidades  
humanas. Produz guiado, exclusivamente, pelo lucro (Foladori, 2008, p. 196).  
A propriedade privada inaugura uma separação no cerne do processo produtivo, que ao  
privar o produtor do mundo exterior, dos meios de produção e de sua própria força de trabalho  
em seu caráter social, colocando-os sob propriedade de outrem, retira sua capacidade vital  
consciente, à medida que seu próprio trabalho é exteriorizado. Assim, no lugar de uma atividade  
consciente, social, criativa e livre tem-se um profundo estranhamento no interior do processo  
de trabalho.  
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O trabalhador é violentamente apartado de todo processo produtivo criativo e reduzido  
a objetivação dos produtos do próprio trabalho. O caráter social do trabalho reduz-se ao caráter  
material dos objetos de trabalho, ou seja, as relações sociais entre os trabalhadores assumem  
um caráter geral das mercadorias produzidas.  
Reflete aos homens os caracteres sociais de seu próprio trabalho como  
caracteres objetivos dos próprios produtos do trabalho, como propriedades  
sociais que são naturais a essas coisas e, por isso, reflete também a relação  
social dos produtores com o trabalho total como uma relação social entre os  
objetos, existente à margem dos produtores (Marx, 2013, p. 206).  
A igualdade do trabalho humano assume a forma do “valor” e os componentes do  
trabalho social aparecem nas mercadorias como materialidade das mesmas. As mercadorias,  
assim, “ganham vida própria”, e nesse contexto, a relação social entre trabalho humano se  
reduzem a característica de relação entre “coisas”.  
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A alocação de todo o trabalho e a distribuição de todo o produto sob a  
produção de mercadorias são arranjadas pela mediação do “valor”, isto é,  
trabalho abstrato objetificado. Não há um acordo consciente entre os  
produtores a respeito da produção geral, porque eles simplesmente seguem as  
mudanças de preços do mercado (Saito, 2021, p. 142).  
A realidade fragmentada chega àqueles que trabalham sob o fetiche das mercadorias,  
em uma existência tão vazia de sentido que parece deleitável apenas externa à própria atividade  
que lhes é vital: por que não é atividade consciente, e portanto, tampouco livre. “O trabalho não  
é, por isso, a satisfação de uma carência, mas somente um meio para satisfazer necessidades  
fora dele” (Marx, 2010, p. 85). Em oposto, o processo de trabalho aparenta ser mazela da  
existência, gera dissabor, desconforto. Aquilo que é universal e genérico não se faz presente,  
invisível aos sentidos alienados. “O trabalho externo, o trabalho no qual o homem se exterioriza,  
é um trabalho de autossacrifício, de mortificação. Finalmente, a externalidade (Äusserlichkeit)  
do trabalho aparece para o trabalhador como se [o trabalho] não fosse seu próprio, mas de um  
outro” (Marx, 2010, p. 85).  
A exterioridade da essência humano-genérica é tamanha que torna-o capaz de sua absurda  
autodestruição posto que o modo capitalista de produção se reproduz objetivamente sob uma  
perspectiva incongruente de aniquilamento dos recursos naturais fundamentais às condições  
materiais de existência da própria humanidade.  
Dessa forma, o capitalismo inaugura “novas características sociais para a interação  
metabólica transitória entre humanos e natureza” (Saito, 2021, p. 142), onde a criação humana  
faz-se coisal, e a natureza restringe-se a um “laboratório e reserva de matérias-primas” (Kosik,  
1976, p. 77).  
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Uma vez que a produção social nada mais é que a regulação da interação  
metabólica entre humanos e natureza, o valor é agora o seu mediador, o que  
significa que o dispêndio de trabalho abstrato é levado em consideração em  
primeiro lugar no processo metabólico. Em contraste, outros elementos dessa  
interação metabólica, como trabalho concreto e natureza, desempenham um  
papel secundário e são levados em consideração apenas na medida em que se  
relacionam com o valor, mesmo que continuem a funcionar como fatores  
materiais essenciais no processo de trabalho. Uma vez que o trabalho abstrato  
também é um elemento material do processo de trabalho, seu gasto não pode  
ignorar completamente outros elementos materiais que operam com ele.  
Contudo, graças à elasticidade material desses elementos, eles podem se  
subordinar ao trabalho abstrato. O germe de uma relação contraditória repousa  
entre a natureza e os humanos e se desenvolve em um grande antagonismo  
entre natureza e sociedade com o desenvolvimento da produção capitalista  
(Saito, 2021, p. 142).  
O modo de produção capitalista estabelece, assim, uma verdadeira ruptura da relação  
metabólica essencial. Trata-se de um sistema que depende de uma realidade em fragmentos  
para ascender. A centralização e acumulação de capitais ocorre fruto de múltiplas separações  
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Ruptura metabólica no capitalismo: a urgência do proletariado ambiental no enfrentamento à crise ecológica  
da totalidade social. Se por um lado é um sistema capaz de romper barreiras e fronteiras para  
seus movimentos de exploração de mão de obra e recursos naturais estratégicos, o faz sobre  
estilhaços de trabalho humano alienado, da superficialização da vida, e uma infinidade de  
incoerentes dualidades: natureza versus sociedade, cidade versus campo, trabalho versus  
consumo.  
O surgimento do capitalismo introduziu mediações de segunda ordem  
particulares, associadas à forma específica da produção de mercadorias e à  
incessante busca por acumulação de capital. Propriedade privada e trabalho  
assalariado alienaram não apenas a humanidade e o processo produtivo, mas  
a própria natureza. (...) Esse processo tomou a forma de uma mediação  
alienada, gerando uma ruptura metabólica entre natureza e sociedade (Foster;  
Clark, 2020, p. 184).  
Demarcar a ruptura do metabolismo social sobre a lógica capitalista é fundamental para  
descontruir as pretensas teorias de “leis naturais” que – de forma falha buscam justificar  
desigualdades sócio-históricas. De teorias que se baseiam nas incoerências malthusianas, ao  
pós-modernismo que abstrai-se de historicidade: o terreno sobre o qual as desigualdades  
reproduzem-se atualmente encontra raízes no desenvolvimento histórico do capitalismo que  
de fato é ulterior ao modo de produção em voga, e traz consigo heranças de formações  
societárias anteriores, mas que sobretudo inaugura particularidades destrutivas através de  
relações sociais profundamente alienadas.  
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A necessidade humana de produzir cede lugar a necessidade capitalista de acumular. A  
produção desloca-se da esfera das necessidades e move-se numa corrida incessante para  
estimular o consumo. “Para isso tem que produzir sempre mais, vender sempre mais, criar no  
consumidor a necessidade de mais mercadorias, fazer que as mercadorias durem o menos  
possível, para ter que reproduzi-las” (Foladori, 2008, p. 196).  
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A obsolescência programada funciona exatamente nessa direção: descartabilidade  
acelerada é fundamental para acelerar o processo de circulação das mercadorias, então tem-se  
uma tecnologia que volta-se ora por tornar as mercadorias rapidamente obsoletas, substituíveis,  
desatualizadas, ora por torná-las efetivamente de má qualidade, descartáveis.  
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Existe maior atentado contra a natureza que extrair matéria prima de todo tipo,  
que depois vai ser desperdiçada, que não vai ser consumida, que não vai  
satisfazer necessidades, ou vai fazê-lo só em parte? Mas o sistema capitalista  
não possui meios capazes de evitar os ciclos econômicos e, com isso, o  
desperdício e a sub-utilização de natureza transformada. A existência de uma  
permanente brecha entre a oferta e a procura é uma constante do sistema  
capitalista. Conseqüentemente, é necessário dizer que o sistema capitalista é  
inimigo da natureza (Foladori, 2008, p. 196).  
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Na atual fase do capitalismo essas contradições estão se agudizando. Trata-se de um  
acirramento no processo de mundialização do capital, com a financeirização ocupando  
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Nicole Alves E. Pontes  
centralidade no cenário internacional, que dentre o aprofundamento de vários expoentes dessa  
dinâmica supõe a intensificação da “expropriação acelerada sobre a natureza e sua devastação,  
aprofundando ainda mais a concentração da riqueza e a produção da miséria; do crescimento  
das classes trabalhadoras e das formas brutais de fragmentação e opressão” (Fontes, 2017, 417).  
A crise, outrora cíclica, esbarra nos limites estruturais de autoexpansão do capital e hoje  
“os níveis de esgotamento da natureza não só coloca em risco a existência de inúmeras espécies  
vivas, como também indica um agravamento das condições materiais para a reprodução do  
sistema” (Mota; Silva, 2009, p. 44). Desde a pandemia e o último relatório do IPCC  
supramencionados, à “escassez de algumas matérias primas e aos efeitos catastróficos da  
produção industrial a exemplo da incomensurável produção de lixo e dejetos de toda ordem”  
(Mota; Silva, 2009, p. 44).  
Mas se por um lado essas contradições representam uma ameaça para sociedade e para  
o processo de reprodução do próprio sistema, por outro sua lógica não permite que sejam  
estruturalmente enfrentadas. É por isso que as propostas de preservação ambiental, ainda que  
muitas vezes coloquem-se na pauta do dia, não são capazes de impedir o avanço da devastação  
da vida, em verdade, assistimos “atrás do chamado desenvolvimento sustentável e da economia  
verde, o compromisso com a conservação da ordem econômico-social vigente e não com sua  
transformação” (Zacarias, p. 133).  
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Por que enquanto os enfrentamentos permanecem centrados em soluções a nível micro,  
apostando em novas tecnologias e iniciativas que não alteram as relações sociais de produção  
da sociedade capitalista de modo ampliado, os resultados são a curva em ascendente  
destrutividade socioambiental. “As soluções propostas nem sequer arranham a superfície do  
problema, sublinhando, novamente, que estamos à frente de uma contradição interna insolúvel  
do próprio capital” (Mészáros, 2011, 802), e que por isso, infelizmente nenhuma Conferência  
do Clima pautada nessa direção, por mais ambiciosa que aparente ser, será capaz de encontrar  
saídas factíveis.  
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Em verdade, as soluções propostas pelo interior do sistema, antes de buscar  
resolutividade acabam por reforçar sua dinâmica e criar novos nichos de acumulação. “Dessa  
forma, a efetiva apropriação da natureza pelo capital manifesta uma modalidade de  
desenvolvimento das forças produtivas, na qual os avanços científicos e tecnológicos  
subordinam-se às necessidades da acumulação” (Mota: Silva, 2009, p. 44).  
Essas proposições têm, inclusive, gerado um avanço maior do capital sobre áreas de  
reservas ambientais e comunidades tradicionais: indígenas, quilombolas, camponeses,  
pescadores e ribeirinhos vão sendo atropelados não apenas pela destrutividade ambiental gerada  
Revista Libertas, Juiz de Fora, v. 23, n. 2, p. 539-553, jul./dez. 2023. ISSN 1980-8518  
Ruptura metabólica no capitalismo: a urgência do proletariado ambiental no enfrentamento à crise ecológica  
pela produção industrial, extrativista e agrícola propriamente, como também pelas novas  
modalidades de propostas e/ou tecnologias verdes, como o sistema de REED+ (“Reducción de  
Emisiones por Deforestación y Degradación de los Bosques”) ilustra claramente: uma proposta  
de reflorestamento que coloca a agricultura familiar e suas formas de cultivo como culpadas  
das alterações climáticas e do desmatamento, e, portanto, retiram ou restringem o acesso dos  
camponeses à terra e às florestas, limitando a produção e uso. No lugar de enfrentar “el  
problema real (la agricultura industrial y el sistema corporativo de producción de alimentos),  
estas agencias promueven programas dirigidos a los campesinos y distraen la atención de la  
gente de las medidas que son necesarias” (WRM; GRAIN; p. 08).  
Em verdade, o campesinato, os povos originários e as populações que fazem uso  
consciente da terra são sujeitos fundamentais para o enfrentamento do aquecimento global e da  
lógica destrutiva a qual precisamos enfrentar com urgência. Tratam-se de sujeitos que  
protagonizam um movimento de resistência histórico contra o padrão de dominação e uso  
predatório dos recursos naturais, pois constroem uma relação que se afirma na contramão da  
ruptura metabólica: ao reestabelecer a relação humana como parte da natureza conseguem  
reproduzir formas verdadeiramente sustentáveis de relacionar-se com os recursos naturais.  
De fato, estudos mostraram que factualmente, terras sob gestão de comunidades  
tradicionais guardam cerca de 24% do carbono estocado na superfície. No caso do Brasil, as  
terras indígenas têm o potencial de evitar a emissão de 31,8 milhões de toneladas anuais de  
CO2. Ou seja, seria como tirar de circulação cerca de 6,7 milhões de carros por um ano  
(BNDES, 2017).  
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E justamente por esse lugar que ocupam historicamente, são sujeitos basilares na luta  
de classes e no processo de transformação societária. Se o horizonte for realmente  
revolucionário e de emancipação humana, é preciso articular a centralidade da pauta ambiental  
onde as condições econômicas e ecológicas rompam a pretensa fragmentação instaurada pelo  
capitalismo.  
A luta de classes e os momentos revolucionários são produtos da fusão da  
necessidade objetiva com uma demanda por liberdade, que emana de  
condições materiais que não são simplesmente econômicas, mas também  
ambientais no sentido mais amplo. As situações revolucionárias são, portanto,  
mais prováveis quando uma combinação de condições econômicas e  
ecológicas torna necessárias as transformações sociais e as forças e relações  
sociais estão desenvolvidas o suficiente para tornar essas mudanças possíveis.  
(Foster, 2020).  
Assim, quando nos voltamos aos sujeitos que resistem ao avanço do capital sobre a  
natureza, identificamos que ainda que sejam lutas particulares, o fundamento da luta é uno: o  
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Nicole Alves E. Pontes  
sistema do capital impera, e sua destrutividade está em diferentes âmbitos, mas estruturada sob  
uma mesma dinâmica. Sim, por que ainda que com toda tentativa de mistificar, fragmentar e  
obscurecer a totalidade afirma-se na realidade concreta. Não se pode apreender fenômenos  
isolando-os fora do todo tampouco isolando o todo de suas determinações. “Sem a compreensão  
de que a realidade é totalidade concreta que se transforma em estrutura significativa para cada  
fato ou conjunto de fatos o conhecimento da realidade concreta não passa de mística, ou a  
coisa incognoscível em si” (Kosik, 1976, p. 44).  
Sem negar o papel do avanço científico e tecnológico contemporâneo, que configura  
avanços incontáveis e possibilitam outra qualidade de vida para sociabilidade humana, faz-se  
mister incorporar os saberes tradicionais silenciados historicamente que podem ser pontes  
fundamentais para acessar caminhos de resistência e desalienação da realidade fetichizada. Não  
é possível avançar excluindo determinações fundamentais à luta. A resistência precisa se mover  
e se fortalecer por diferentes esferas da sociedade, e esse movimento de unificação das lutas  
sociais também desvela a totalidade social que nos chega em fragmentos.  
No papel revolucionário, o “proletariado ambiental”, como denominou Foster (2020), é  
central no processo de constituição de uma nova ordem societária. “A questão do proletariado  
ambiental ― examinada de um ponto de vista global e contemporâneo ― se sobrepõe e é  
indistinguível da questão do campesinato ecológico e das lutas dos povos indígenas” (Foster,  
2020).  
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Assim sendo, povos indígenas, tradicionais, quilombolas e ribeirinhos são fundamentais  
na conservação da natureza e suas vozes e vivências precisam encontrar o espaço protagonista  
no processo anticapitalista de transformação social a organização da classe trabalhadora com  
o proletariado ambiental é fundamental, e rompe com a fragmentação que o capital nos impõe  
para sua perpetuação: a totalidade social, com seus diferentes sujeitos, em uma só direção  
revolucionária que não distancia-se da pauta ecológica, mas a incorpora como central no  
processo de transição.  
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Considerações finais  
Os retalhos da realidade desencontram-se na utilização de meios que não pertencem às  
mãos que manuseiam, de um espaço onde os pés não encontram identidade, onde a criatividade  
humana é amordaçada, e o esforço resulta em um produto que não pertence ao produtor. No  
lugar de receber conforme sua atividade, os trabalhadores recebem conforme o pagamento dos  
proprietários de tudo isso, proprietários incluindo de sua força de trabalho. Esse “valor”  
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misterioso que chega em forma de dinheiro só vai permitir consumir aquilo que é necessário à  
sobrevivência fora do próprio processo de trabalho.  
Os trabalhadores não são efetivamente partícipes do processo trabalho como tal, antes  
pequenas partes. Peças como todas as outras humanas e inumanas: dos meios de trabalho aos  
demais sujeitos ali presentes, tudo parece se reduzir a “coisas”, “mercadorias” descartáveis e  
substituíveis.  
A ruptura do metabolismo social coloca-nos diante de uma natureza, humana e não-  
humana, devastada. Os níveis de destrutividades são crescentes e acirram-se no movimento de  
expansão e acumulação de capitais, demonstrando através de pandemias e desastres de  
diferentes características a necessidade de colocarmos freio ao sistema capitalista como  
imperativo civilizatório.  
É na periferia do sistema que os custos são mais altos, e as soluções ditas sustentáveis  
avançam sobre as populações que ainda são capazes de estabelecer uma relação  
verdadeiramente sustentável com a natureza. Em verdade, “aqueles que mais sofrem com a  
exploração do capitalismo sabem muito bem que a plena mercantilização da natureza significa  
lucros privados e impactos socializados” (Fernandes, 2020).  
O avanço do capital sobre terras indígenas e comunidades tradicionais, inclusive com  
seu distintivo de sustentabilidade como o REDD+ brevemente ilustrou acima, configuram um  
cenário que não ameaça apenas a vida desses sujeitos sociais isoladamente, mas também toda  
forma de interconexão e preservação da natureza que em alguns níveis supõe uma resistência  
à própria ruptura metabólica, e em outros vem sendo protagonista na preservação da vida, da  
biodiversidade, e contra o aquecimento global.  
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Esto nos indica que la protección de la naturaliza contra la mercantilización  
capitalista es inseparable del hombre en tanto parte de la naturaleza. Dicho  
otra manera, toda política que asuma la cuestión ecológica deberá combatir  
también la alienación -la alienación mercantil, pero también la alienación en  
el trabajo- y esto con verdadeira eficacia, y no como esas campañas en  
“defensa del empleo” donde vemos a los sindicatos aliados a los empleadores  
en torno a cuestiones como las normas en materia de polución. De lo que se  
trata es de actuar de tal manera que el individuo “individual”, creación del  
capitalismo escindido en productor y consumidor y privado de toda instancia  
que pueda ayudarlo a comprender las principales determinaciones de su  
experiencia social, pueda devenir un productor asociado, em condiciones de  
administrar sus relaciones con el medio natural según una racionalidad  
colectiva. El socialismo, así redefinido, es la palabra que debemos reaprender  
a defender. (Chesnais, 2009, p. 19)  
A defesa do socialismo, como tal, perpassa a defesa do reestabelecimento do que por  
séculos nos é roubado pelo capital: nossa essência humano-genérica universal, e por isso  
enquanto parte da natureza que nos é própria. Trabalho humano não se restringe à mercadoria.  
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