ingressaram pela modalidade baixa renda, as indígenas restantes se dividiram igualmente entre
três linhas, 25,9% das negras, por baixa renda + cota racial (outros 24,1% entraram por cota
racial independente de renda) e 50% das pardas, por cota racial independente de renda.
O percentual das estudantes que não tinham o serviço social como primeira opção é de
62,8%. Cerca de um quarto (25,1%) escolheram-no por ser um curso noturno, 21,3% pela
pontuação no Enem, 14,8% para formação política/militância e 10,9% por indicação de
assistentes sociais. Assim, 56% optaram pelo curso por motivos alheios a ele, enquanto 25,7%
o procuraram especificamente. Na pesquisa da Andifes este dado é totalmente oposto: o curso
em que está matriculado corresponde à primeira opção de 82,9% dos graduandos
(FONAPRACE, 2019: 121).
O ingresso, entretanto, embora importante, é só uma parte do problema do acesso, que
inclui ingresso, permanência e qualidade de formação (SILVA; FERNANDES, 2017: 6.095).
Depois que o estudante consegue entrar na universidade, há que se preocupar com seu
acolhimento, sua inserção, sua participação, determinantes para a permanência, a satisfação
com o curso e a suficiência do desempenho. Estão aí envolvidas questões amplas, variadas, que
passam pela subjetividade, por condições de trabalho e vida, familiares e outras:
A faixa etária do(a) estudante – às vezes muito jovem, com pouca maturidade
para identificar ou compatibilizar gostos e oportunidades na universidade; o
capital cultural do(a) discente; a expectativa do próprio estudante e de seus
familiares; o nível de exigência e as dificuldades encontradas para se adaptar
à Universidade e ao próprio curso escolhido; as oportunidades no mercado de
trabalho e sobretudo as condições materiais que se dispõe (se precisa trabalhar
ou não; como pode se manter); enfim, tudo isso tem implicações sobre o
percurso estudantil e o perfil acadêmico. (FONAPRACE, 2019: 122)
Por outro lado, o Censo da Educação Superior constata que a “participação discente em
atividades e programas acadêmicos de ensino, pesquisa e extensão, bem como sua cobertura
por programas de assistência estudantil”, estão “associados a maiores índices de conclusão e
menores índices de evasão” (apud FONAPRACE, 2019: 138). Mais: os estudantes mais
engajados nas atividades dos cursos que seguem e que se sentem menos pressionados têm
melhores resultados em termos de saúde mental (cf. GRANER; RAMOS CERQUEIRA, 2019,
pp. 1.329-30).
Na nossa pesquisa, as alunas reconhecem os eventos e atividades acadêmicas como
espaços formativos importantes, bem como o lugar de destaque que têm no curso:
(...) a diferença de uma faculdade particular, que só tem atividade dentro de
sala (...). Aqui a gente tem palestras o dia todo. Várias coisas.
E é um curso engajado, que está sempre se atualizando (...), sempre quando
rola uma discussão, por exemplo, que está acontecendo na Abepss, que rola
uma nova orientação sobre a questão da grade, a gente discute aqui.