IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi
<p>A <em>Ipotesi - Revista de Estudos Literários</em> [ISSN 1982-0836] é uma publicação semestral do <a href="https://www2.ufjf.br/ppgletras/">Programa de Pós-Graduação em Letras – Estudos Literários</a>, da <a href="https://www2.ufjf.br/ufjf/">Universidade Federal de Juiz de Fora</a>, cujo objetivo é divulgar produções de pesquisadores de universidades nacionais e estrangeiras. Dedicada a contribuições na área de estudos literários, a revista publica artigos (dossiê temático e dossiê de tema livre), resenhas, traduções e criação literária. <span style="font-weight: 400;">O material enviado é avaliado pelos Editores de número e por pelo menos dois pareceristas </span><em><span style="font-weight: 400;">ad hoc</span></em><span style="font-weight: 400;"> (Avaliação Cega por Pares). Textos literários são aceitos a partir de convite por parte da equipe editorial, não sendo possível o livre envio.<br /></span></p> <p>Para saber mais sobre a revista (histórico, foco, escopo, periodicidade), <a href="https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/sobre">clique aqui</a>.</p> <p>Para acompanhar as chamadas abertas, <a href="https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/announcement">clique aqui</a>.</p>Universidade Federal de Juiz de Forapt-BRIPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS1415-2525Poéticas da descolonização
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/51221
<p>Neste ano de 2025, em que se comemorou o centenário do nascimento de Frantz Omar Fanon (1925-1961), a IPOTESI - Revista de Estudos Literários, v. 29, n. 2, de jul./dez. 2025, do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), convidou professores, pesquisadores e estudiosos a enviarem trabalhos que refletissem sobre o impacto do pensamento do escritor e ativista martinicano no campo da literatura e das artes.</p>Fernanda Murad MachadoMichel Mingote Ferreira de Azara
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-272921410.34019/1982-0836.2025.v29.51221 Trocas de destino, individuação e retorno do pai em “A estória do Homem do Pinguelo”
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/48889
<p>RESUMO: no conto “A estória do Homem do Pinguelo”, integrante de <em>Estas estórias</em>, volume publicado após a morte do autor, o enigmático “Homem do pinguelo” intervém misteriosamente nas vidas de seo Cesarino e Mourão, fazendo com que troquem de destino, pois um vivia a sorte do outro, levando ambos a superar a crise na qual se encontravam e avançar no processo de <em>individuação</em>. Além de figurar o diálogo entre opostos, a narrativa encena outros temas importantes para a obra rosiana, como o mito de Fausto e a relação problemática com o Pai. Para fins da análise, são mobilizados críticos literários como Adélia Bezerra de Menezes, Walnice Nogueira Galvão e Davi Arrigucci Jr, além de pensadores do segmento da História das Religiões, da Psicologia e da Psicanálise, como Mircea Eliade, Joseph Campbell, Jung e Freud. A metodologia, de caráter bibliográfico e qualitativo, perfaz uma leitura hermenêutica da dualidade que atravessa o conto, além da comparação com outras obras de Guimarães Rosa.</p>Daniel Atroch
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729211710.34019/1982-0836.2025.v29.48889A metalinguagem na obra de Mário Faustino: uma análise da construção do eu poético
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/49986
<p>Este artigo analisa a metalinguagem na obra de Mário Faustino como categoria estruturante do eu poético e como operação crítica que articula linguagem, consciência e modernidade. O estudo teve como objetivo geral investigar como a metalinguagem atua como princípio organizador na lírica faustiniana, não apenas como recurso formal, mas como expressão filosófica e autorreflexiva da poesia moderna. A metodologia baseou-se na análise de textos críticos, ensaios e poemas do autor, com ênfase no projeto Poesia-Experiência, identificando, ao longo da pesquisa, como Faustino funde os papéis de poeta, crítico, tradutor e pensador em um único gesto autoral. Os resultados indicam que a metalinguagem em Faustino não se restringe à autorreferência, mas assume uma dimensão ontológica, estética e ética, na medida em que o autor transforma o poema em campo de experiência e combate simbólico. Contudo, evidencia-se também que essa operação metapoética pode instaurar uma linguagem excessivamente autorreferida, que, ao enfatizar o rigor formal e a densidade intelectual, distancia-se da experiência sensível e da pluralidade interpretativa. Além disso, o estudo problematiza o alcance comunicativo da obra faustiniana, demonstrando que a figura do poeta-crítico, embora inovadora, pode impor uma estética disciplinadora e normativa que tensiona a abertura dialógica do poético. Conclui-se que a metalinguagem, em Faustino, opera como instrumento de estruturação existencial, mas também como risco de clausura formalista.</p>Francisco Cleyson de Sousa Gomes
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729212510.34019/1982-0836.2025.v29.49986Eliot e Jó
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/49880
<p><span style="font-weight: 400;">Este estudo realiza uma leitura comparada entre o </span><em><span style="font-weight: 400;">Livro de Jó </span></em><span style="font-weight: 400;">e </span><em><span style="font-weight: 400;">Four Quartets</span></em><span style="font-weight: 400;">, de T. S. Eliot, com foco na concepção do sofrimento como via de purificação e amadurecimento espiritual. A análise parte de uma abordagem hermenêutica e intertextual, observando como a poesia eliotiana reelabora o drama bíblico do justo sofredor, deslocando-o para o contexto da crise espiritual do século XX e ressignificando sua dimensão teológica, filosófica e existencial. Dialogando com o pensamento de autores como Northrop Frye, Scott Hahn e Erich Auerbach, procura-se compreender de que maneira ambas as obras convertem a dor em experiência estética, silêncio fecundo e, paradoxalmente, esperança que aponta para uma sabedoria que transcende a razão humana. Nesse sentido, a investigação propõe-se a mostrar que tanto no drama de Jó quanto na poética de Eliot apresentam o sofrimento não como absurdo, mas como caminho de purificação e de encontro metafísico.</span></p>Érique OliveiraFlávia Aninger de Barros
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729212810.34019/1982-0836.2025.v29.49880Imagens de água e transformações de personagem em A paixão segundo G.H. e Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/50414
<p>Este artigo visa apresentar reflexões acerca das trajetórias de G.H. e Lóri, protagonistas dos romances <em>A paixão segundo G.H.</em> e <em>Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres</em>, escritos por Clarice Lispector. É de interesse examinar como essas personagens passam por transformações, tendo como enfoque imagens de água, as quais aparecem de maneira recorrente nas duas obras. De acordo com essa abordagem, as mudanças das protagonistas foram analisadas à luz dos conceitos de anacronismo e limiar, presentes, respectivamente, nos textos de Georges Didi-Huberman (2015) e de Jeanne Marie Gagnebin (2014). Com a comparação entre os romances, foi possível observar que G.H. e Lóri apresentam, ambas, índices de indeterminação em suas percepções do mundo, ao passo que têm trajetórias diferentes no que tange às suas relações com as esferas da cultura e da natureza.</p>Clara Abrão de Araújo
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729212210.34019/1982-0836.2025.v29.50414Passado de Glória
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/50419
<p>Esse artigo tem como objetivo fazer reflexões sobre contexto do surgimento do disco da Escola de Samba Portela "Portela Passado de Glória”, analisar a produção poética, observando o contexto histórico, marcado por profundas mudanças sociais, políticas e guerras. A fim de provocar a seguinte questão: por que o disco da Portela é um marco na discografia brasileira? A textualidade dos sambas reitera o princípio de uma inteligência e criatividade coletiva, fundamental na trajetória da Portela, demonstrando que o samba não se restringia ao carnaval, desdobrando-se em práticas contínuas — encontros, festas e reuniões no bairro de Oswaldo Cruz, onde a música era instrumento de sociabilidade e afirmação da cultura negra, como apontado por Candeia (2023), por Nei Lopes (2008) e Muniz Sodré (1998). A recriação da cultural e a apropriação do passado para reconstruir histórias, oralidades e canções é uma forma de criticar as mazelas dos séculos XX, do legado do colonialismo e propor a quebra da estrutura social. A arte, a música e a palavra contada são caminhos de encontro com o que Franz Fanon (2020) chama de consciência política e podem ser usadas como armas simbólicas ao serem utilizadas pelo povo.</p>Silvana Martins dos SantosLucas Garcia Nunes
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729211910.34019/1982-0836.2025.v29.50419Fanon avant Fanon : Atipa, Batouala et les prémices littéraires de la décolonisation dans le monde francophone
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/50106
<p>RÉSUMÉ : Cet article analyse deux romans francophones écrits avant l’émergence théorique de Frantz Fanon : <em>Atipa. Roman guyanais </em>(1885) d’Alfred Parépou et <em>Batouala </em>(1921) de René Maran. Bien que séparées par près de quatre décennies et inscrites dans des contextes coloniaux distincts, la Guyane française en Amérique du Sud au XIXᵉ siècle marquée par l’abolition de l’esclavage et les politiques d’assimilation, et l’Oubangui-Chari en Afrique centrale au début du XXᵉ siècle soumise à une domination coloniale brutale, ces œuvres anticipent plusieurs problématiques que Fanon développera plus tard dans <em>Peau noire, masques blancs</em> (1952) et <em>Les Damnés de la terre</em> (1961). En examinant les stratégies esthétiques et discursives mobilisées par Parépou et Maran, comme l’usage de la satire, de l’ironie et de la voix narrative du colonisé, l’article met en évidence une généalogie littéraire de la décolonisation dans l’espace francophone. Alors qu’Atipa subvertit les hiérarchies linguistiques en donnant une place centrale à la parole populaire, Batouala, lauréat du Prix Goncourt en 1921, provoque un débat sur la critique de l’ordre colonial. Relire ces œuvres à la lumière de Fanon permet de reconsidérer l’histoire de la pensée anticoloniale et la place des littératures francophones dans ce champ.</p>Paola Karyne Azevedo Jochimsen
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729212110.34019/1982-0836.2025.v29.50106Pele preta, desejo branco ― a fetichização do corpo masculino negro como ferramenta de controle
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/50070
<p><span style="font-weight: 400;">Frantz Fanon (2002; 2008), psiquiatra e revolucionário, expõe a forma como o colonialismo impõe uma estrutura hierárquica fundamentada na raça, e interpreta o corpo negro como locus de desejo, medo e exclusão, marcado pela “epidermização da inferioridade”. Aponta como a sexualidade e a corporalidade de sujeitos negros foram historicamente instrumentalizadas em contextos coloniais, funcionando tanto como ferramenta de ascensão social quanto como mecanismo de dominação e estigmatização. Essa chave crítica, somada à noção de fetichização de Homi K. Bhabha (1998) e à crítica da razão negra de Achille Mbembe (2013), permite propor uma análise da representação do corpo negro, sobretudo o do narrador-personagem D’Chimbo, no romance</span><em><span style="font-weight: 400;"> Le Nègre du Gouverneur</span></em><span style="font-weight: 400;"> (2001), de Serge Patient; e investigar de que maneira a trajetória de D’Chimbo evidencia as ambiguidades da fetichização do corpo negro, revelando os limites do processo de assimilação cultural na Guiana Francesa do século XIX. Conclui-se que, embora D’Chimbo instrumentalize sua sexualidade e linguagem como estratégias de mobilidade, sua ascensão permanece limitada, pois o colonialismo o reconhece apenas como espetáculo, jamais como sujeito pleno. A narrativa de Serge Patient revela, assim, os paradoxos da assimilação e reafirma o corpo negro como território de disputa política e simbólica, contribuindo para reflexões atuais sobre racismo estrutural, identidade e resistência cultural.</span></p>Christopher Rive St VilJoão Victhor de Oliveira Lopes
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729211210.34019/1982-0836.2025.v29.50070Virada pós-colonial
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/50346
<p>Partindo da leitura do conto O cometa: Fim da supremacia branca como mote, o objetivo geral deste trabalho é tentar construir um debate em torno da discussão sobre estudos pós-coloniais decorrentes em Os condenados da terra, de Frantz Fanon e Brutalismo, de Achille Mbembe. Compreender como a perspectiva fanoniana foi estopim para amplas discussões em torno do racismo, da descolonização do território e do saber controlado pela hegemonia ocidental; e refletir como Achille Mbembe desdobra a tese de Fanon para propor o debate contemporâneo sobre o brutalismo (a violência) - o racismo, controle de fronteiras e de pessoas, vigilância e terror nos campos de refugiados, espelhados por várias partes do mundo - matiza as violências expostas por Frantz Fanon. Com base no conto e nas teorias de dois autores, podemos entender que a reafirmação do conhecimento permite que os negros possam se reinscrever na história humana, através descolonização da visão, da imagem, conhecimento e poder. Isso é que Achille Mbembe chama de humanismo planetário, que se opõe às divisões, ao pensamento abissal e políticas de inimizade que ameaçam as democracias e a vivência entre diversidades.</p>Ianes Augusto Cá
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729211710.34019/1982-0836.2025.v29.50346Quebremos o espelho!
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/49536
<p>Este artigo analisa o romance <em>Nossa Senhora do Nilo</em>, de Scholastique Mukasonga, contextualizando-o no genocídio de tutsis em Ruanda e suas profundas raízes coloniais. A narrativa, situada no liceu Nossa Senhora do Nilo em 1973 descreve o cotidiano de alunas do internato, explorando seus conflitos como reflexos das divisões étnicas no país. O objetivo é demonstrar como a obra ficcionaliza as relações causais entre o processo colonial, a independência do país e o golpe de 1973, sugerindo o genocídio como seu evento complementar. Metodologicamente, propomos uma revisão bibliográfica do processo histórico ruandês, da fortuna crítica do romance, aliando-os às reflexões de Fanon (2008; 2022) sobre a sociogenia colonial. Adicionalmente, empregamos as noções de Assmann (2011) e Collot (2012) para definir o espaço narrativo como simbólico e mediador, e as conceitualizações de Seligmann-Silva (2022) sobre o testemunho. Como resultado, observamos que o romance expõe como a tese nilo-hamita desestruturou a sociedade ruandesa, solidificando barreiras sociais e econômicas. A instrumentalização da figura de Gloriosa e a simbologia da quebra da estátua revelam a transição da retórica de ódio para a violência explícita, culminando na catarse coletiva. Enfim, concluímos que <em>Nossa Senhora do Nilo</em> atua como um poderoso testemunho, figurando uma “política do esquecimento” ao mesmo tempo em que oferece uma lente crucial para a compreensão das complexidades históricas de Ruanda e para a busca de uma reconciliação ontológica da população negra.</p>Alencar Zidani
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729212310.34019/1982-0836.2025.v29.49536O problema da linguagem em Americanah (2013) sob uma perspectiva fanoniana
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/50103
<p>Este artigo analisa o problema da linguagem como forma de violência e de resistência no romance <em>Americanah</em> (2013), de Chimamanda Ngozi Adichie. Para isso, fazemos um recorte que acompanha o deslocamento da protagonista ao deixar a Nigéria e se mudar para os Estados Unidos e suas estratégias para lidar com o racismo com o qual é confrontada, além da posição de algumas outras personagens. Assim, traçamos um diálogo entre o texto literário e a discussão do pensador Frantz Fanon (1983) sobre “máscaras brancas”, pois consideramos que determinados posicionamentos das personagens podem ser lidos como uma “via de embranquecimento” para tentar se adaptar ao país hospedeiro. Consideramos a obra do autor Martinicano bastante pertinente para a leitura crítica do romance em questão, sobretudo porque a nossa análise tem como foco a materialização de conflitos raciais e sociais na linguagem, tópico enfatizado por Fanon e aspecto central na obra de Adichie. Além disso, utilizamos também discussões do campo dos estudos pós-coloniais e dos estudos culturais como Homi Bhabha (2023) e Stuart Hall (2003).</p>Larissa Lacerda de SousaCharles Albuquerque Ponte
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729212410.34019/1982-0836.2025.v29.50103Perseguindo rastros de história: Franz Fanon e o avesso da pele
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/50117
<p>Este artigo propõe uma investigação a respeito da representação literária do racismo e da violência racial no romance <em>O avesso da pele</em>, de Jeferson Tenório, em diálogo com o pensamento decolonial de Frantz Fanon, para descortinar de que maneiras este romance realiza a proposta de uma literatura antirracista enquanto prática estética e Histórica. Os romances desse escritor e intelectual perfazem um contraste entre as limitações colocadas pelo racismo e a potência de seus personagens, cuja trajetória é no mais das vezes alimentada pela consciência de direitos e dignidade. A ficção de <em>O avesso da pele</em> alia a dimensão individual à coletiva de personagens negras que perseguem autonomia por meio sobretudo da dimensão do saber, e isso se manifesta através de um estilo ao mesmo tempo lírico e realista, apegado às transformações interiores de seus personagens.</p> <p> </p>Gisele Novaes Frighetto
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729211910.34019/1982-0836.2025.v29.50117Ressignificando o colonialismo pelas mãos de Adriana Varejão e Henrietta Rose-Innes:
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/50382
<p>Ao considerar a herança colonial presente na arte produzida em ex-colônias europeias, como é o caso da África do Sul e do Brasil, este texto apresenta um cotejo entre o conto <em>“Porcelain” </em>(2012)<em>,</em> da autora sul-africana Henrietta Rose-Innes, e as obras “Autorretratos coloniais” (1993), “Pele tatuada à moda de azulejaria” (1995-1996), e “Azulejaria ‘De Tapete’ em Carne Viva” (1999), da artista plástica brasileira Adriana Varejão, por considerarmos essas produções como representativas de questões de agência que ressignificam a herança colonial. Em relação ao aporte teórico, partimos de pressupostos de Aimé Césaire (2000), e sua crítica à necessidade de as nações colonizadoras subjugarem os povos colonizados, da posição de Frantz Fanon (2022), de que é preciso ressignificar a herança colonial pela ação, e de observações de Ailton Krenak (2019), em relação ao impacto da ação humana no meio ambiente e, consequentemente, em quem virá depois de quem criou cada impacto. Para acrescentar ao respaldo teórico, algumas contribuições sobre o pós-colonialismo, oriundas de Robert Young (2020) e de Bill Ashcroft, Gareth Griffiths e Helen Tiffin (2013), em especial acerca dos conceitos de agência e binarismo, bem como subalternidade (Spivak, 1990) também são pautadas e auxiliam na análise das produções escolhidas. O que se depreende do estudo realizado é que a ressignificação da herança colonial pode se dar pela arte e resistir e persistir por ela.</p>Janice NodariHelena de Fátima Assal Flor
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729211410.34019/1982-0836.2025.v29.50382Homens pretos choram e amam
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/50409
<p>O objetivo deste artigo é fazer uma breve análise do poema <em>Mano Brown também ama</em>, de Lucas Litrento, contrapondo à crônica “Meia Noite”, do livro <em>Homens pretos (não) choram</em>, de Stefano Volp. Estes autores fazem parte da nova geração de escritores brasileiros, que não se encaixam no chamado cânone literário tradicional, e que, embora também pratiquem uma literatura de engajamento, buscam dar voz à uma literatura dissonante, ou seja, a uma literatura de invenção que foge, em sua finalidade, do que é, tradicionalmente, esperado de autores negros. Com uma lírica inovadora, suas narrativas além de desafiar os leitores a confrontar as realidades do racismo, da desigualdade, de vozes historicamente silenciadas, abrem espaço para discussões acerca das subjetividades do homem negro. Para entendermos essas questões, teremos que abordar e contrapor os conceitos de sistemas dominantes e dissonantes; de literatura afrodiaspórica, com sua poética de engajamento e resistência, opondo-se ao conceito de literatura errante, com sua poética de invenção e deslocamento; bem como os conceitos de “enracinèrrance” (Jean-Claude Charles) e minorias cognitivas (Berger, 1996), além das contribuições de Edimilson de Almeida Pereira (2022), bell hooks (2022), Frantz Fanon (2008), Homi Bhabha (1998).</p> <p> </p>Sabrina Silva Souza
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729211510.34019/1982-0836.2025.v29.50409Mundos globais, mundos em fragmentos
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/49197
<p>O presente ensaio trata-se da introdução ao livro A Psicologia Cultural: processos de desenvolvimento e compreensão social de Andrea Smorti, pesquisador e professor no departamento de formação, língua, intercultura, literatura e psicologia da Universidade de Florença, Itália. A tradução dessa parte da obra como texto independente tem o intuito de apresentar ao público brasileiro a teoria da psicologia cultural sob a perspectiva da língua italiana. Esse objetivo está fundamentado na presença predominante de trabalhos da psicologia cultural publicados em língua inglesa, fato que ocasiona a prevalência de uma perspectiva euro-americana na interpretação da referida teoria. Desse modo, essa tradução vem trazer diversidade à psicologia cultural com o intuito de familiarizar o público brasileiro com uma perspectiva latina. A atualidade do tema da globalização coloca luz sob os fenômenos migratórios, o giro linguístico em psicologia e a diversidade cultural como temas centrais sob os quais se debruça a psicologia cultural. Assim, a psicologia cultural vem trazer contribuições significativas para o campo das ciências humanas em um diálogo interdisciplinar com a história, o direito, a literatura e a ciência do desenvolvimento, princípio em que se assenta essa perspectiva teórica.</p>Ana Luiza de França SáAndrea Smorti
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729212110.34019/1982-0836.2025.v29.49197Primeiras aventuras de Giaffá
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/50119
<p>Tradução do conto "Prime avventure di Giaffá", da obra <strong>Giaffá: racconti per ragazzi</strong>, de Grazia Deledda. No âmbito da literatura infanto-juvenil, Deledda publicou, em 1893, três contos sobre a personagem Giaffà: “Prime aventure di Giaffà”, “Le ultime aventure di Giaffà” e “Son Giaffà o non Giaffà?”. Em 1931, é publicada uma edição pela editora Remo Sandron, de Palermo – Sicília, com o acréscimo de mais dois contos: “Nostra Signora del Buon Consiglio” e “Le disgrazie che può causare il denaro”. Giaffà é uma derivação de Giufà, personagem de origem árabe, mas representado pela cultura folclórica siciliana.</p>Aline Fogaça dos Santos Reis e SilvaEduarda Tadwald NunesIvana IsdraVictória Medeiros da Silva
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-2729212010.34019/1982-0836.2025.v29.50119Um acerto de contas entre irmãos
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/50199
Marcelo Fernandes Ribeiro
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-272921510.34019/1982-0836.2025.v29.50199Ruy Duarte de Carvalho e a ancestralidade africana
https://periodicos.ufjf.br/index.php/ipotesi/article/view/50442
<p>Resenha do livro de poesia <em>Ondula, savana branca</em>, do poeta angolano Ruy Duarte de Carvalho, publicado no Brasil, em 2022, pela Círculo de Poemas. O texto estabelece uma relação entre a obra poética do autor, que é um exercício de tradução, e a ancestralidade africana, através do conceito de neoanimismo.</p>José Antonio Gonçalves
Copyright (c) 2025 IPOTESI – REVISTA DE ESTUDOS LITERÁRIOS
https://creativecommons.org/licenses/by/4.0
2025-12-272025-12-272921710.34019/1982-0836.2025.v29.50442