Revista Ética e Filosofia Política https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia <p>Revista do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Juiz de Fora. A <strong>Revista Ética e Filosofia Política</strong> começou como “PHI-BRA”, no ano de 1985. A partir do 2º semestre de 1988, passou a ser intitulada “Comunicações Filosóficas” e, a partir do 2º semestre de 1996, “Ética e Filosofia Política”, recebendo artigos, ensaios, resenhas, comunicações e relatórios de pesquisa de caráter interdisciplinar, mais precisamente, filosófico e jurídico, com interfaces na epistemologia das ciências humanas e sociais aplicadas. As edições estão em estrita conexão com as áreas de concentração dos programas de pós-graduação em Filosofia, em Ciência da Religião e em Direito da UFJF.</p> <p>ISSN Impresso 1414-3917<br />ISSN Eletrônico 2448-2137</p> pt-BR nathalie.cadena@ufjf.br (Departamento de Filosofia da UFJF) nathalie.cadena@ufjf.br (Departamento de Filosofia da UFJF) Mon, 17 Aug 2026 13:47:51 +0000 OJS 3.2.1.4 http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss 60 Democracia e Liberdade de expressão https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/53969 <p>XII Encontro Nacional do GT de Filosofia Francesa Contemporânea da ANPOF (24 a 26 de setembro de 2025, UFJF)</p> Luciano Donizetti da Silva Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/53969 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 A FENOMENOLOGIA E O POLÍTICO: A “DEMOCRACIA” EM REVISTA https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51448 <p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;">Trata-se de investigar a teoria fenomenológica da “democracia” de Claude Lefort em alguns de seus aspectos. E de pensá-la à luz da experiência histórica dos últimos 40 anos.</span></p> Luiz Damon Santos Moutinho Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51448 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 ARTE E POLÍTICA MENORES EM DELEUZE https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51289 <p>Nosso objetivo é apresentar algumas considerações sobre o modo como Deleuze aborda a relação entre arte, política e minorias, em especial, no cinema, a partir de seu livro, <em>Cinema 2- A imagem-tempo</em>. Ressaltamos inicialmente que o que interessa Deleuze, numa política de minorias, é o conjunto de impossibilidades com as quais elas são confrontadas. Ao contrário da ideia de que a política se move no elemento do possível, Deleuze faz da impossibilidade a condição da política. A impossibilidade de agir e de pensar tem o verdadeiro poder de gênese; a falência do pensamento e da ação força o pensar e o agir e assegura a sua necessidade. Também na arte, a criação não se dá com base nas possibilidades existentes, mas no seu esgotamento, no confronto com o impossível. Destacaremos principalmente a abordagem de Deleuze sobre as transformações no cinema, a representação do povo e a fabulação.&nbsp;</p> Silene torres Marques Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51289 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 SARTRE https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/50996 <p>Com base nos textos "Sommes-nous en démocratie?", publicado na Revista <em>Les Temps Modernes</em> em 1952 e inserido em <em>Situações VI</em>, e "L'ami du peuple", entrevista dada ao jornal <em>L'Idiot International</em> em 1970 e inserida como posfácio às conferências sobre os intelectuais em <em>Situações VIII</em>, pretendo seguir a suposição sartriana de imaginar a perda de sentido das noções de verdade e objetividade em uma sociedade dilacerada pela luta de classes e dividida em dois blocos antagonistas. Nesta sociedade, o pensamento burguês liberal nega a existência da luta de classes para manter inalterado o que o alimenta econômica, política e moralmente; e a imprensa revolucionária fornece às massas notícias sem base nos fatos, preferindo o lirismo à verdade.</p> <p>Neste cenário catastrófico, em que os gestos imaginários virtuais parecem impedir as ações concretas e coletivas, ainda haveria o que fazer? Sartre não nega</p> <p>ser otimista. Já eu sou muito menos. Pretendo, sem esperanças, e a partir da descrição de uma democracia mistificada - tal como vivemos hoje -, pensar ao menos algumas diretrizes que poderiam nos nortear, tanto dentro das universidades (que parecem ter perdido a defesa do saber), quanto na imprensa de esquerda, na busca de uma democracia concreta.</p> Thana Mara de Souza Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/50996 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 COMENTÁRIO ACERCA DA CONCLUSÃO DE A TRANSCENDÊNCIA DO EGO https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51462 <p align="left">O presente artigo acompanha em um nível descritivo e analítico os desenvolvimentos finais que faz Sartre no seu conhecido artigo inaugural <em>A transcendência do Ego. </em>A partir desse ângulo mais geral, e supondo que ele tenha sido suficiente para localizar as consequências teóricas e práticas que Sartre tira do referido artigo, desdobramos nossos desenvolvidmentos em dois debates mais particulares: com Jocelyn Benoist, acerca dos limites da “transcendência do Ego”, na chave do claro-escuro pressuposto da composição sartriana, e com Rousseau, via Bento Prado Júnior, acerca da origem das línguas.</p> Alexandre de Oliveira Torres Carrasco Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51462 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 A “CORAGEM DA VERDADE” E O RISCO DA PALAVRA EM MICHEL FOUCAULT https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51138 <p>Nos últimos anos de sua produção no <em>Collège de France</em>, Michel Foucault problematiza a noção de <em>parrêsia</em>, ou “coragem da verdade”, interrogando a relação, a um só tempo conflituosa e de reforço mútuo, entre o discurso verdadeiro e a democracia ateniense. Embora a parrêsia democrática se apoie na prerrogativa que assegura a liberdade de palavra a todos os cidadãos, o ato parresiástico – situado no horizonte da <em>isegoria</em> e marcado pelo risco próprio ao dizer-verdadeiro – já indica uma ascendência daquele que fala. É essa dimensão política do risco, no ponto de fricção entre o jogo democrático e sua crise, que pretendemos explorar, reconstituindo a própria figura do parresiasta naquilo que o diferencia do retórico e do demagogo.</p> Andre Constantino Yazbek Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51138 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 MORAL E MEMÓRIA https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51578 <p>O artigo analisa a conferência <em>Raízes da Ética</em> (1964), de Jean-Paul Sartre, articulando-a com sua ontologia fenomenológica e com a relação entre liberdade, história e memória. Argumenta-se que a ética, para Sartre, coincide com o movimento histórico, surgindo da práxis situada e nunca de estruturas fixas. A partir dessa perspectiva, o texto propõe três raízes da moralidade análogas às dimensões da memória: o passado herdado e repetido pelo grupo; a incorporação individual da norma na corporeidade; e os objetos de memória que cristalizam a normatividade. Mostra-se que a moral aparece como Em-Si reificado, mas depende sempre da liberdade, que pode tanto reproduzir quanto transformar o sistema. Assim, a ética sartriana revela-se paradoxal: é porvir incondicionado enraizado em práticas históricas.</p> Luciano Donizetti da Silva Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51578 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 SEM CORPO https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51136 <p>Na década de 1960, em defesa da militante argelina Djamila Boupacha, acusada sem provas, detida e torturada por forças coloniais, Simone de Beauvoir pergunta: “Ainda podemos ser movidos pelo sangue de uma jovem mulher?” A filósofa existencialista afirma que se alguém sucumbe à tortura, é assassinado, ou, mata a si mesmo. Nesse cenário, o cadáver pode ser escondido, situação sobre a qual conclui: “sem cadáver, sem crime”. Ainda que familiares possam questionar o desaparecimento de uma pessoa, Beauvoir destaca o prevalecimento do silêncio. Assim como o silêncio prevalece nas ameaças que sofrem os sobreviventes à tortura. Se um sujeito é torturado e desaparece, que outro o tortura e toma o seu corpo como um objeto inessencial? Em Por uma moral da ambiguidade, a filósofa existencialista explica que o corpo não é um fato bruto e que nele exprimimos nossa relação com o mundo. Beauvoir nota criticamente uma distinção da qual seu tempo se orgulha, entre a permissão da tortura no âmbito militar, e a compreensão de que “não é o exército que tortura”. Se é possível uma subjetividade aniquilada, invisibilizada e então silenciada em seu corpo, em casos de tortura pelo qual Djamila Boupacha passou, e naqueles que assombram nosso presente nas celas de Guantánamo, em presídios brasileiros, em Gaza, nas prisões de El Salvador, no apoio de Donald Trump à violência de Israel cometida contra o povo palestino e o iraniano, que sujeito é esse que tortura o outro com as próprias mãos? </p> Juliana Oliva Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51136 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 BERGSON E FREIRE EM DIÁLOGO - DEMOCRACIA, EDUCAÇÃO DEMOCRÁTICA E SEUS DESDOBRAMENTOS EM GUINÉ-BISSAU https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51288 <p>O presente artigo busca abordar e discutir, num primeiro momento, as concepções de democracia elaboradas tanto por Henri Bergson quanto por Paulo Freire, pensando também a partir delas os significados da educação democrática. Em seguida, assumindo essas concepções como referências – associadas a algumas ideias de Martha Nussbaum, de Jonh Dewey e de Amílcar Cabral –, procura refletir os sentidos e o valor da democracia, bem como da educação democrática no contexto de Guiné-Bissau, país africano tomado por nós como objeto de estudo e de pesquisa nos últimos anos no decorrer de um trabalho de pós-graduação. Nosso objetivo maior com este artigo é colaborar com o debate filosófico e filosófico-educacional em torno da proposição democrática, tomando-o como base para os engajamentos necessários diante dos desafios de ordem política que se nos apresentam sobretudo nos dias de hoje.</p> Tarcísio Jorge Santos Pinto, Suleimane Alfa Bá Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51288 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 FOUCAULT, LINGUAGEM E DISCURSO https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/50951 <div><span lang="PT-BR">O artigo examina a reflexão foucaultiana sobre a linguagem, mais especificamente sobre o discurso, tomando como eixo central a obra <em>A ordem do discurso</em> (1970), articulando com outros textos de Michel Foucault. Partindo da dificuldade de sistematização conceitual presente na filosofia de Foucault, o texto tenta mostrar como o discurso não é nem uma expressão subjetiva, nem uma estrutura puramente linguística, mas, antes, um acontecimento. A partir do deslocamento operado por Foucault de uma busca pelo sentido e de uma primazia subjetiva para uma investigação das relações que atravessam a linguagem, o artigo tenta apontar para o discurso como uma experiência performática, tomado por uma emergência e produtor de um impacto na cultura. Nesse cenário, o discurso se apresenta, fora do campo comunicativo, como aquilo pelo qual e pelo que se luta, sendo atravessado por procedimentos de exclusão. Tendo como plano de fundo o projeto foucaultiano para a filosofia de uma ontologia do presente, o texto reflete sobre a vontade de verdade, que caracteriza o discurso contemporâneo, e, a partir desse traço distintivo, busca mostrar a relevância se pensar o discurso e a linguagem em nosso tempo. </span></div> Marcelo Norberto Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/50951 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 CONSCIÊNCIA IMAGINANTE, ÉTICA E LIBERDADE https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51270 <p>Este artigo propõe discutir a ontologia fenomenológica de Jean-Paul Sartre como fundamento teórico-prático para uma educação transformadora. Partindo da premissa sartreana da primazia da existência sobre a essência, o estudo demonstra que a realidade humana é caracterizada pela liberdade radical – uma condição que se manifesta pelo poder da consciência de nadificar, negar, o mundo dado. A pesquisa estabelece a consciência imaginante como a matriz ontológica dessa liberdade, uma vez que ela permite a irrealização do presente e a projeção de um projeto futuro. Argumenta-se que essa perspectiva exige uma ruptura com o modelo de reprodução pedagógica, o qual, ao promover a domesticação e a adaptação, por meio da má-fé, serve à manutenção de estruturas alienantes, como a lógica do capital (Mészáros). Em contrapartida, a educação autêntica deve ser um movimento perpétuo de contestação – o conhecimento é um conjunto de problemas abertos que possibilita ao sujeito a fazer-se outro por meio da escolha e do engajamento. Conclui-se que o ato educativo é uma práxis exclusivamente humana e o espaço fundamental para a formação do homem contestador, realizando a plena humanização do <em>Ser-para-si</em> fundada na responsabilidade ética.</p> Liliane Barros de Almeida Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51270 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 DEMOCRACIA E LIBERDADE DE EXPRESSÃO EM MICHEL FOUCAULT https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51149 <p class="western" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;">Embora os temas democracia e liberdade de expressão apresentem estreita ligação entre si, não são tratados de forma sistemática na obra foucaultiana. É possível, contudo, entrever nos escritos de Foucault a importância que a democracia assume, no campo das relações de poder, enquanto expressão da parresia, ou do dizer verdadeiro, autêntico, do indivíduo. Vista sob esse prisma, a democracia se apresenta como espaço da aleturgia e as relações de poder, por sua vez, como a possibilidade de se constituírem as subjetividades. Nossa pesquisa tem caráter bibliográfico e se assenta, sobretudo, nos cursos apresentados no Collège de France, na década de 1980.</span></span></p> PAULO ROBERTO ANDRADE DE ALMEIDA Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51149 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 BERGSON E A LIBERDADE COMO EXPRESSÃO DA VIDA https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51142 <p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%;" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">Falar de liberdade de expressão e democracia em Bergson pode parecer uma empreitada arriscada, visto que o autor não abordou diretamente o assunto, nos moldes políticos modernos, enquanto um direito associado a uma forma de governo. No entanto, sua obra nos fornece múltiplas ocasiões de pensar sobre essas questões. Em </span></span></span><em><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">As Duas Fontes da Moral e da Religião</span></span></span></em><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"> (1932), Bergson opera uma distinção entre sociedade fechada e sociedade aberta. Quando a primeira é caracterizada por regras fixas e motivada pelo instinto de conservação, a segunda se vê ligada a uma moral que inclui toda a humanidade e têm por condição e princípio um amor universal. Ela se apresenta como uma organização social que permite a liberdade e acolhe a individualidade. Na sociedade aberta temos a possibilidade de uma democracia viva, que se cria em permanência, impulsionada pelos indivíduos que agem a partir de sua interioridade, de forma livre, expressando a sua identidade. Segundo Stull (</span></span></span><em><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><span style="font-style: normal;">2022</span></span></span></span></em><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">), a democracia seria para Bergson um “acontecimento”, uma emergência das virtualidades éticas e políticas que não se manifestam em outros sistemas políticos. A própria democracia, de modo condizente com a ontologia bergsoniana, seria um processo criador, associado à liberdade, enquanto expressão do </span></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><em>moi profond</em></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><span style="font-style: normal;">. </span></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">A liberdade é, com efeito, pensada por Bergson como a expressão interior da vida em sua plenitude. No </span></span></span><em><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">Ensaio sobre os Dados Imediatos da Consciência</span></span></span></em><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"> (1889), a liberdade é apresentada como o ato do eu profundo, que se dá na duração. Essa liberdade, diz Sinclair (2021) é expressiva, assim como a criação de uma obra de arte, que manifesta a interioridade do sujeito. Nagase sugere que a liberdade, ao mesmo tempo, implica numa responsabilidade, formando o que Bergson chama, em </span></span></span><em><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">Matéria e Memória</span></span></span></em><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"> (1896), de “liberdade razoável”. A questão profunda, afirma Pommier (2010), é a encarnação, assim como a nossa relação com o mundo. Somente a intuição pode produzir a harmonia entre a ação e a vida interior. A democracia visa permitir que essa expressão se dê livremente, mas dentro de quadros institucionais. A liberdade é uma força vital, uma expressão da vida, como mostra Bergson na </span></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><em>Evolução Criadora </em></span></span></span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR"><span style="font-style: normal;">(1907). Ela se manifesta em todas as realidades, sejam elas humanas ou naturais. Para o ser humano, a democracia representa o sistema político que permite a criatividade, a liberdade, dentro de um quadro institucional que organiza a vida social de modo a que a liberdade de uns não se torne uma ameaça à liberdade dos outros. É esse complexo problema que pretendemos analisar. </span></span></span></span></p> <p class="western" style="line-height: 100%;" align="justify"><br><br></p> <p class="western" style="margin-bottom: 0cm; line-height: 100%;" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="pt-BR">Palvras-chaves: Bergson; Liberdade; Expressão; Vida.</span></span></span></p> Aimberê Quintiliano Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51142 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 POR QUE JÁ NÃO PODEMOS PENSAR ASSIM? https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51276 <p>O trabalho desenvolve uma reflexão sobre o pensamento do filósofo brasileiro Bento Prado Jr., tomando como eixo condutor um aforismo publicado em 1981 e o modo como ele é reinscrito, décadas depois, numa resenha de 2005, em estreita vizinhança, finalmente, com o texto <em>Gérard Lebrun e o devir da filosofia</em>, uma de suas últimas publicações, também de 2005. O aforismo funciona como porta de entrada para a interrogação de aspectos centrais de sua obra, especialmente no que diz respeito aos problemas da temporalidade e do devir. Nessa perspectiva, a divergência estabelecida com Lebrun – entendida por Bento como um ponto necessário de heresia – revela-se produtiva na medida em que elastece a conversação filosófica, por ele concebida como um diálogo permanente e irredutivelmente aporético.</p> Alessandro Carvalho Sales Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51276 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 MERLEAU-PONTY DO PONTO DE VISTA DE CERTO REALISMO https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/50927 <p>O artigo analisa a leitura que Jocelyn Benoist propõe em <em>Le bruit du sensible </em>do último Merleau-Ponty, examinando duas teses centrais do livro: a autonomia do sensível em relação ao conceitual e a ideia de que a realidade sensível se revela como ruído. Mostra como Benoist interpreta determinados temas merleau-pontianos atenuando sua extração fenomenológica e aproximando-os de certo realismo.</p> Jose Luiz Neves Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/50927 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000 A TRADIÇÃO E SEU OUTRO https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51283 <p>Bergson foi duramente criticado por René Guénon em diversos momentos de sua obra. O que intentaremos fazer neste artigo é mostrar alguns dos elementos desta crítica (baseando-nos principalmente na <em>Crise do mundo moderno</em>), para tentar a partir disso fabular uma metacrítica bergsoniana à Guénon, mostrando como a diversidade de mal-entendidos de Guénon esconde na verdade uma radical diversidade de concepções metafísicas acerca do Real.</p> FERNANDO MONEGALHA Copyright (c) 2026 https://periodicos.ufjf.br/index.php/eticaefilosofia/article/view/51283 Mon, 17 Aug 2026 00:00:00 +0000