Teoria e Cultura
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<p><strong>Teoria e Cultura </strong>é uma publicação semestral do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora, avaliada como B1 (Qualis CAPES), destinada à divulgação e disseminação de textos na área de Ciências Sociais (antropologia, ciência política e sociologia). O projeto editorial contempla artigos científicos (manuscritos originais), ensaios, resenhas, entrevistas e traduções de textos da área de ciências sociais. A revista publica predominantemente em português e é aberta a outras línguas como inglês, espanhol e francês.</p>EDITORA UFJFpt-BRTeoria e Cultura1809-5968O Desafio Político e Epistêmico de Despaulistizar-se: Entrevista com Gilberto Felisberto Vasconcellos
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<p>A entrevista com Gilberto Felisberto Vasconcellos propõe uma reflexão sobre sua trajetória intelectual e a originalidade de sua obra no campo da sociologia brasileira. Formado pela USP, mas em nítido desacordo com os rumos da sociologia paulista e seu projeto político-econômico, o autor desenvolve uma crítica radical à dependência cultural e ao subdesenvolvimento, a partir de uma perspectiva marxista e nacionalista da cultura – em contraste com o modo pelo qual caracteriza a sociologia da cultura predominante no país. O fio condutor da entrevista é o processo de “despaulistizar-se”, entendido como uma ruptura intelectual e política que marca sua saída de São Paulo e consolida um pensamento autônomo, voltado à crítica à indústria cultural, ao imperialismo – tanto o internacional quanto o regional – e o compromisso com um projeto socialista de país. Influenciado por figuras como Glauber Rocha e Bautista Vidal, Vasconcellos logra articular sociologia, política, arte e cultura em uma expressividade imagética própria, que recusa acomodações acadêmicas e reafirma a urgência de uma crítica intelectual enraizada na realidade latino-americana.</p>Dayvison Wilson Bento da Silva
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2025-11-182025-11-1820233935710.34019/2318-101X.2025.v20.50436Folha de Rosto
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<p>Folha de Rosto</p>Dmitri Cerboncini
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2025-10-072025-10-0720214Governança Criminal e Novas Empresas Criminosas: Uma Análise do “Domínio de Cidades” no Brasil
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<p><span style="font-weight: 400;">Diferentes organizações criminosas estabelecem dinâmicas distintas de controle social, com regras (in)formais, consolidando o que a literatura denomina governança criminal. Em alguns casos, esses grupos fazem acordos informais com outros atores do crime para manter seu poder e obter lucros econômicos. Nesse sentido, investigamos a relação entre organizações criminosas estabelecidas, especialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC), e quadrilhas envolvidas em crimes contra o patrimônio, mais especificamente roubos a bancos no Brasil. Gerenciando o crime de dentro das prisões, o PCC estabeleceu uma nova lógica de governança criminal, explorando os mercados de drogas ilícitas. Nos últimos anos, observamos a expansão das atividades do PCC para outras partes da América Latina, aplicando sua lógica para controlar rotas internacionais de tráfico de drogas e, em alguns casos, até mesmo a produção de drogas ilícitas. No entanto, embora o tráfico de drogas permaneça o empreendimento mais lucrativo, outros atores, como ladrões de bancos, parecem estar conectados ao PCC e desenvolvendo novas conexões. Realizando trabalho de campo na cidade de Curitiba, capital do estado do Paraná, observamos como essas quadrilhas operam, suas técnicas e suas conexões com atores criminosos estabelecidos. </span></p>Leonardo OstronoffFelipe Ramos Garcia
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2025-10-072025-10-0720251910.34019/2318-101X.2025.v20.50026Disputas Intelectuais e Financiamento Científico: Fundação Ford e os Sentidos do Golpe de 1964
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<p>Este artigo examina as tensões que atravessaram o campo sociológico brasileiro na década de 1960, com foco no embate entre diferentes projetos de ciência formulados para o país naquele contexto. Para tanto, centra-se nas disputas interpretativas entre dois grupos de intelectuais em torno do sentido do golpe de 1964. De um lado, estavam aqueles que concebiam a sociologia como instrumento privilegiado de interpretação da realidade brasileira, tendo em Florestan Fernandes seu principal expoente; de outro, intelectuais que recorriam à ciência política como arcabouço teórico mais adequado à compreensão do evento e de seus desdobramentos, com destaque para Wanderley Guilherme dos Santos. A hipótese central sustenta que tais divergências extrapolavam o plano estritamente teórico, expressando disputas mais amplas no interior do campo das ciências sociais e traduzindo diferentes tomadas de posição diante dos projetos de ciência e de sociedade em disputa naquele período. Em perspectiva mais ampla, o artigo investiga como os processos de consolidação e declínio desses paradigmas foram condicionados por dinâmicas institucionais, em especial pelo papel desempenhado pelas agências de fomento científico – com destaque para o financiamento privado da Fundação Ford. Tais processos foram decisivos para o reordenamento do campo das Ciências Sociais no Brasil.</p>Dayvison Wilson Bento da Silva
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2025-10-082025-10-08202203710.34019/2318-101X.2025.v20.49815Militarização e milicialização das cidades: reflexões a partir do Rio de Janeiro
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<p>O presente artigo tem o objetivo de examinar como militarização e milicialização são processos sociais que caminham juntos e se retroalimentam, utilizando como lente de análise a particularidade do Rio de Janeiro. Desse objetivo, desdobram-se dois intuitos: primeiro, construir e qualificar o que genericamente tem sido nomeado de milicialização, entendendo-a não como um atributo ou mera descrição de um grupo, mas como uma lógica de ação, um processo em curso que é permeado de dimensões e que tem dado a tônica à economia política dos grupos armados; e segundo, destacar como a esfera institucional e política une esses dois processos sociais. Para tanto, utilizou-se bibliografias especializadas na temática, relatórios técnicos de pesquisa e a complementação de notícias das mídias de internet. Conclui-se destacando que a milicialização se constitui como um novo elemento chave da sociabilidade violenta, e que, tratar militarização e milicialização como processos vinculados contribui à compreensão do Brasil contemporâneo.</p>Utanaan Reis Barbosa Filho
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2025-10-072025-10-07202385410.34019/2318-101X.2025.v20.45952Neoliberalismo, organismos multilaterais e educação
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<p>O neoliberalismo, enquanto uma nova razão do mundo que define nossa forma de viver, sentir, pensar e desejar, adentrou todas as áreas da vida em sociedade, inclusive a educação. Enquanto um modelo hegemônico, foi preciso a intervenção de grandes organismos internacionais para a implementação dos valores de mercado em todas as esferas da vida. Na educação não foi diferente. Aliás, ganhou mais força ao instaurar valores como tecnologias da informação e da comunicação, globalização, competências, sociedade da informação, empregabilidade, autonomia, trabalho em equipe, flexibilidade, exclusão social, concorrência, capital social etc. Enquanto uma nova ordem hegemônica, vemos a exigência de uma eficácia educacional avaliada por meio de resultados obtidos em testes padronizados internacionalmente. Para conseguir bons resultados, os países adequam a escola para subirem no ranking internacional educacional. Esse artigo coloca em questão se há uma melhoria na educação ao se seguir o que se denomina uma nova ordem educativa mundial.</p>Ronaldo ManziLucas Caldeira
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2025-10-082025-10-08202557210.34019/2318-101X.2025.v20.47173O Nudges na urna: o papel das intervenções comportamentais na participação eleitoral
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<p>Este artigo revisa a literatura sobre o uso de <em>nudges</em> - intervenções comportamentais sutis - em processos eleitorais, centrado em sua eficácia para incentivar a participação dos eleitores. O tema se insere nas abordagens comportamentais aplicadas às políticas públicas. A metodologia foi qualitativa, fundamentada em pesquisa exploratória e análise documental, com base em estudos recentes obtidos por busca sistemática em bases acadêmicas. A análise aplicou inferência descritiva que permite interpretar fenômenos observacionais a partir de dados empíricos. Os estudos apontam convergência quanto ao potencial dos <em>nudges</em> para influenciar o comportamento eleitoral, embora divirjam sobre sua eficácia, que depende de fatores como engajamento prévio, contexto político e aceitação institucional. Conclui-se que a literatura é promissora, mas requer maior padronização metodológica e estudos longitudinais sobre os efeitos dessas intervenções ao longo do tempo.</p> <p> </p>Paula Keiko Iwamoto Poloni
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2025-10-082025-10-08202738610.34019/2318-101X.2025.v20.49443Fatores sociodemográficos da determinação da insegurança alimentar no Brasil: ensaio teórico
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<p>O objetivo foi discutir os conceitos relacionados à insegurança alimentar e os fatores sociodemográficos envolvidos na sua determinação. Nesse contexto, este ensaio aborda as definições de segurança e insegurança alimentar, com base nas políticas e legislações que as fundamentam, trazendo à tona o debate sobre a violação do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA) e de outros direitos que levam a população a vivenciar a desumanização. Traz a teoria de Josué de Castro sobre a fome, tanto histórica quanto geográfica, fazendo conexões com o desequilíbrio socioeconômico gerado pela estrutura política e econômica do Brasil até os dias atuais. A última seção trata da caracterização dos fatores sociodemográficos e sua influência na insegurança alimentar e nutricional, com ênfase em raça/cor, gênero, renda, escolaridade e região geográfica do Brasil. Esse texto também coloca o Estado como reprodutor das desigualdades socioeconômicas e perpetuador do ciclo da pobreza e da fome no país. Dadas as evidências científicas sobre o papel dos determinantes sociodemográficos na produção da insegurança alimentar, é possível estabelecer uma discussão crítica sobre como esses fatores interferem na saúde e na realização de outros direitos humanos.</p>Maria Carla de Jesus SouzaJaqueliny de Jesus Bezerra
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2025-10-082025-10-08202879810.34019/2318-101X.2025.v20.48813Afetos Insurgentes: Enquadramentos de um ativismo anarquista relacional
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<p>Este artigo examina o uso da comunicação pelo ativismo anarquista relacional brasileiro para mobilização política não monogâmica. Escolhemos como objeto o projeto digital Afetos Insurgentes, ativo desde 2019. A partir da teoria dos processos de alinhamento de quadros (Snow <em>et al</em>., 1986), analisamos as estratégias de alinhamento utilizadas nos textos autorais publicados pelo projeto de 2019 a 2023 na plataforma Medium com o objetivo de compreender como o projeto constrói suas abordagens comunicativas para mobilização política. Nossa análise identificou o uso de todas as estratégias, destacando-se <em>frame transformation</em>, exemplificado pelo esforço para transformar o enquadramento socialmente estabelecido da monogamia.</p>Giovane de Melo ScreminCarla Candida Rizzotto
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2025-10-082025-10-082029811510.34019/2318-101X.2025.v20.48469Estou tão cansada de correr o mais rápido que posso: Taylor Swift e a dinâmica da música pop
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<p>Este artigo explora a interseção entre feminismo, sexismo e a indústria musical, por meio da análise da carreira e da imagem pública de Taylor Swift. Como uma das figuras mais influentes da música pop contemporânea, Swift oferece um estudo de caso particularmente relevante para examinar como os papéis e expectativas de gênero influenciam as trajetórias profissionais e as percepções públicas de artistas mulheres. O estudo analisa as letras de suas músicas, declarações públicas, entrevistas e conflitos profissionais, enfatizando os desafios enfrentados por Swift ao navegar por uma indústria historicamente dominada por homens e o desenvolvimento gradual de sua ideologia feminista. Ao situar a trajetória pessoal e profissional da cantora no contexto mais amplo das tendências da música pop, o artigo demonstra como sua defesa dos direitos das mulheres e da paridade de gênero desafia diretamente as estruturas enraizadas do machismo e transforma o cenário cultural e comercial da música pop. Por fim, o artigo avalia criticamente a influência de Swift, contribuindo para o debate contínuo sobre o feminismo na cultura <em>mainstream </em>e os avanços das mulheres na indústria musical.</p>Gustavo Augusto da Silva
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2025-10-152025-10-1520211613410.34019/2318-101X.2025.v20.49032Emoções e cuidado da pessoa com doença de Alzheimer
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<p>Esse artigo aborda a articulação entre o cuidado de pessoas com doença de Alzheimer (DA) e as emoções de familiares que cuidam delas, com base em pesquisa realizada de 2018 a 2022, na qual foram entrevistados profissionais de saúde dedicados a demências, e 17 familiares-cuidadoras de pessoas com DA. Para este artigo selecionamos entrevistas de filhas que cuidam de suas mães ou pais em processo demencial por DA. Refletimos sobre os significados de cuidado, as responsabilidades e obrigações nos âmbitos público e privado. O cuidado familiar é abordado enquanto principal instância responsável na atenção à pessoa idosa e os impactos emocionais. Neste sentido, o recorte das entrevistas selecionadas para este artigo apresenta particularidades da relação de cuidado, uma vez que as cuidadoras familiares, em sua maioria, ainda estão inseridas no mercado de trabalho e vivenciam tensões emocionais decorrentes da inversão de papeis. Por fim, analisamos as retóricas em torno dos sentimentos presentes na relação de cuidado.</p>Renata de Morais Machado Rachel Aisengart
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2025-10-102025-10-1020213515310.34019/2318-101X.2025.v20.47317O Estado de Contrainsurgência e o Autoritarismo no Brasil Bolsonarista: uma Análise à Luz de Ruy Mauro Marini
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<p><span style="font-weight: 400;">Este trabalho analisa a dinâmica política brasileira a partir do golpe parlamentar-jurídico-midiático de 2016 e sua continuidade no governo Bolsonaro (2019-2022), à luz da categoria “Estado de Contrainsurgência” de Ruy Mauro Marini. O objetivo é compreender como essa forma de reorganização autoritária da ordem burguesa, já presente no golpe de 1964, se atualiza no contexto recente. A pesquisa, bibliográfica e de abordagem qualitativa, utiliza o materialismo histórico-dialético para interpretar esse fenômeno como uma suspensão temporária da democracia liberal, voltada à eliminação das forças transformadoras e posterior restauração da ordem institucional. Argumenta-se que o governo Bolsonaro não representou uma ruptura total, mas uma modulação autoritária sustentada pela aparência de legalidade, articulando militarização da política, externalização da ameaça revolucionária e restauração liberal. O bolsonarismo, impulsionado por ressentimentos sociais e um projeto ultraliberal, mobilizou “contrapúblicos conservadores” que corroem as instituições democráticas por dentro. A radicalização do Estado de Contrainsurgência se expressa na combinação entre autoritarismo militar e desmonte neoliberal, com uso do negacionismo, da retórica antiestablishment e do terrorismo simbólico contra a oposição. Conclui-se que a categoria de Marini é fundamental para compreender os novos autoritarismos na periferia do capitalismo e pensar alternativas políticas a essa configuração do poder.</span></p> <p> </p>Rodrigo Guimarães
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2025-10-152025-10-1520215417010.34019/2318-101X.2025.v20.49250Os Tucuns e a Produção de sentidos do mundo social: um estudo sobre o envelhecimento e pertencimento no bairro São José na cidade de Parnaíba - PI
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<p>As Ciências Sociais se expandiram desde seus pesquisadores e teóricos clássicos até os contemporâneos e as pesquisas acerca do entendimento da vida nas cidades proporciona a compreensão das diversas formas de viver e conviver nas sociedades urbanas, onde o indivíduo passa a ser objeto de investigação. É pensando nesse sujeito, que a cidade de Parnaíba -PI se torna um cenário prolífero para as investigações acerca dos processos sociais, políticos, morais, culturais, históricos, econômicos e subjetivos onde podemos compreender a representação da vida cotidiana. E, nesse sentido o ambiente do bairro é observado como local das manifestações e representações das relações sociais, a partir dos atores que compartilham sentimentos, emoções, laços de solidariedades, bem como ações e conflitos entre grupos e indivíduos interdependentes (SIMMEL, 2006). Este trabalho compõe um dos capítulos da minha dissertação de mestrado defendido na Universidade Federal do Piauí - UFPI e tem como objetivo maior compreender o bairro São José, sob a ótica do seu cotidiano e análise dos moradores que fazem desse ambiente um espaço de relações sociais que se estruturam através das narrativas da vida cotidiana dos mesmos.</p>Vivianne Oliveira Costa
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2025-10-152025-10-1520217118410.34019/2318-101X.2025.v20.43496Bagaceiras são elas: um olhar para intersecções e hierarquizações acionadas por masculinidades não-hegemônicas num bar na região periferizada de Goiânia-GO
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<p>Este artigo representa um esforço de síntese de pontos discutidos em pesquisa de mestrado. Nele, para cumprir tal propósito, busco privilegiar certa discussão relativa à etnografia do/no Feirão do Chope, bar situado em uma região periferizada da cidade e Goiânia. Em especial busco trazer a tela dados produzidos que permitem um exercício analítico que intersecciona alguns marcadores sociais da diferença, em especial gênero, sexualidade e raça/etnia. Ou seja, nuanço da pesquisa as discussões relativas à categoria êmica “bagaceira” e problematizo seu uso como categoria acusatória por gays para se referir a outros gays jovens, supostamente com menor poder aquisitivo e com uma construção corporal e de performance de gênero que remetem à feminilização. Como resultado conseguimos tanto problematizar uma ideia de igualdade no “mundo gay”, tal qual o faz Isadora Lins França (2012); quanto estabelecer conexões de modo a confirmar a intersecção entre marcadores sociais como gênero, raça e classe com vistas a produção dos lugares sociais hierarquizados e fetichizados em que grupos privilegiados buscam enquadrar outras pessoas e grupos, revelando assim um paralelo contextualizado entre os valores sociais mais gerais e suas possibilidades nas sociabilidades no Feirão do Chope.</p>Bruno Hammes
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2025-10-152025-10-1520218520510.34019/2318-101X.2025.v20.43838Performances expandidas em (na) rede: uma análise da poesia feminina de slam e do ativismo digital produzido na pandemia
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<p>Durante a pandemia da covid-19, o coletivo feminino Slam das Minas RJ precisou pausar suas atividades presenciais, incluindo as batalhas de poesias nas ruas. Prontamente, o grupo desenvolveu projetos <em>on-line </em>que possibilitaram o funcionamento do movimento durante a quarentena. No presente artigo, analiso duas emblemáticas vídeo-performances realizadas pelas poetas Andréa Bak e Luísa Romão, publicadas na conta de Instagram @slamdasminasrj. Nelas, as poetas discutem temas urgentes como a política brasileira e a necropolítica na pandemia, além de exibirem uma nova configuração do “fazer <em>slam</em>”, com performances recriadas para as dimensões da tela do celular. Evidencio, por fim, como o coletivo de poesia fez da rede social a sua nova rua ao transformar o perfil no Instagram em uma plataforma extremamente eficaz de ampliação das vozes femininas.</p> <p> </p>Guilherme Ferreira
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2025-10-172025-10-1720220622210.34019/2318-101X.2025.v20.43459A Escola e polícia: produção de saberes para o controle e socialização de crianças e de adolescentes
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<p class="western" align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;">O artigo apresenta um recorte </span><span style="font-family: Times New Roman, serif;">atualizado</span><span style="font-family: Times New Roman, serif;"> da tese de doutorado do autor defendida em 2022 com a temática que relaciona polícia e escola. Neste contexto, é estratégica a compreensão da transição, em especial a partir dos anos de 1990, </span><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Times New Roman, serif;">do tratamento dos problemas antes considerados somente da esfera pedagógica para, então, o eixo da segurança pública. A análise discursiva de policiais militares da corporação de Minas Gerais amplia as possibilidades de interpretação das relações que se estabelecem frente à dinâmica de judicialização dos conflitos no ambiente escolar. Também é possível perceber a complexidade dos conceitos, a começar pela própria definição de violência escolar. </span></span></p>Ricardo Bedendo
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2025-10-202025-10-2020222324210.34019/2318-101X.2025.v20.49039Colorismo, cotas, heteroidentificação: notas sobre disputas e concorrência em torno dos pardos e negros de pele clara
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<p align="justify"><span style="font-family: Times New Roman, serif;"><span style="font-size: medium;">Este artigo busca explorar as tensões e disputas que circundam a questão dos pardos e negros de pele clara no contexto da política de cotas raciais. A partir de uma análise crítica da heteroidentificação, do colorismo e de como essas dinâmicas afetam os processos de racialização no Brasil, pretende-se refletir sobre os limites e desafios da política de cotas e os impactos dessas políticas na construção identitária. Constatou-se que o rigor crescente direcionado ao usufruto das cotas pelos pardos baseado numa suspeição de sua identidade coloca em xeque a categoria política “negro”, ponto gravitacional do debate racial no Brasil nos últimos 30 anos. </span></span></p>Rosano Freire
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2025-10-222025-10-2220224326010.34019/2318-101X.2025.v20.46708Crise do trabalho juvenil na região nordeste no contexto da pandemia de covid-19
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<p>O texto analisa o mercado de trabalho juvenil na região Nordeste, especialmente durante os efeitos da pandemia de covid-19. A literatura aponta que os instrumentos que condicionam as decisões laborais da juventude passam por um período de reconfiguração, que têm impactos importantes sobre a determinação da condição da juventude no mercado de trabalho. Assim, usando dados provenientes da Pesquisa Nacional por Domicílios Contínua (PNAD-contínua) e também de sua versão feita durante o período de pandemia, PNAD-covid19, mostra-se, como resultados, que o nível de desemprego juvenil é bastante elevado, além de outros indícios de precarização, como baixo rendimento e ociosidade, fatos potencializados pela estrutura social do Nordeste do Brasil.</p>Tiago Siqueira ReisEvânio Mascarenhas PauloChristiane Luci Bezerra Alves
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2025-10-242025-10-2420226127910.34019/2318-101X.2025.v20.44978Tragédia e narrativa: considerações teóricas
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<p>O artigo contribui na discussão sobre narrativas explorando duas tradições de crítica. Por um lado, expõe-se os argumentos que definem a contribuição que retoma a abordagem hegeliana sobre o tema da tragédia, recorrendo em específico à contribuição de Lukács. Isso permite uma discussão aplicada a um gênero da cultura de massa, o faroeste. Por outro, o debate se desdobra em direção à contribuição de Frye, e na maneira como tal autor retoma, a seu modo, uma inspiração que recupera Aristóteles.</p>João Damasceno Martins LadeiraMarcelo Garson
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2025-10-242025-10-2420228029310.34019/2318-101X.2025.v20.50272Nunca fomos tão modernos? Notas sobre o esgotamento da modernização no Brasil contemporâneo
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<p>Este trabalho procura refletir a atual crise no Brasil a partir das categorias “modernização” e “brasilianização do mundo”, considerando parte da teoria social brasileira da última década sobre o esgotamento das possibilidades da modernização do país diante da crise da acumulação capitalista (Francisco de Oliveira, Paulo Arantes e Marildo Menegat). O exame dessas noções mostra a permanência das expectativas de a sociedade brasileira atingir patamares de desenvolvimento capitalista dos países centrais e os limites internos do capitalismo brasileiro. Ou seja, a dinâmica social brasileira nas últimas décadas foi alterada com o neoliberalismo, o que levou a uma exaustão de algumas formas sociais modernas que acomodam as contradições e os antagonismos. Assim, sugere-se que as tendências próprias da sociedade brasileira acompanham a crise da política institucional e o retorno de formas violentas de controle dos conflitos, repondo características da sociedade moderna que pareciam estar ultrapassadas.</p>Vladimir Ferrari Puzone
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2025-10-252025-10-2520229430910.34019/2318-101X.2025.v20.50401Sobre o autoritarismo contemporâneo: do contexto internacional ao cenário brasileiro
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<p>Neste artigo, apresento uma síntese de algumas das principais discussões sobre o tema do autoritarismo contemporâneo, tanto no plano internacional quanto no cenário brasileiro. Na primeira dimensão, reconstruo a obra de autores como Klaus Dörre, Wilhelm Heitmeyer e Arlie Hochschild, dentre outros, de modo a demonstrar a relação entre um novo cenário de insegurança social e a ascensão do autoritarismo em países como a Alemanha e os Estados Unidos. Na sequência, adentro em algumas das principais obras sobre este debate entre nós, como as de João Cezar de Castro Rocha, Jessé Souza e Marcos Nobre, buscando apontar para alguns limites e possibilidades de nossa discussão interna.</p>Fabrício Maciel
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2025-11-042025-11-0420231032410.34019/2318-101X.2025.v20.50482Entre a eloquência e a evidência: resenha crítica do livro “Democracia, mudança social e ideologias no Brasil Contemporâneo".
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<p>A resenha examina <em data-start="18" data-end="83">Democracia, mudança social e ideologias no Brasil contemporâneo</em>, de João Batista dos Mares Guia, destacando sua relevância no contexto pós-Bolsonaro. Publicado pela Éduque em 2024, o livro combina crônica política, ensaio sociológico e manifesto cívico, cobrindo a “década sombria” (2013-2022) e as transformações estruturais recentes. Capítulo a capítulo, o autor discute a Constituição de 1988, a ascensão da direita, a Lava Jato, o bolsonarismo, o papel das emendas parlamentares e a crescente interpenetração entre religião e política. Na segunda parte, analisa mérito, uberização, agronegócio, declínio sindical e “guerra cultural”. A resenha elogia a acessibilidade da linguagem, o alcance temático e o peso do testemunho, mas critica a fragilidade metodológica, o excesso de adjetivação e a ausência de contraditório.</p>Lucas Carneiro Costa
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2025-11-172025-11-1720232532810.34019/2318-101X.2025.v20.49082Por um deslocamento dos marcos fundadores da criminologia como ciência
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<p>Analisa-se a obra <em>Crime and civilization: the birth of criminology in the early nineteenth century</em> (2024), do pesquisador finlandês Janne Kivivuori, uma contribuição intelectual que reinterpreta as origens da criminologia científica. A proposição central de Kivivuori é que a disciplina não teria nascido do "medo do crime", mas do otimismo iluminista e do advento revolucionário de um novo sistema de dados: o francês <em>Compte général de l'administration de la justice criminelle</em>, de 1827. A resenha acompanha a meticulosa reconstrução desse processo por Kivivuori, desde os conhecimentos dispersos pré-estatísticos até a criação e o imediato impacto internacional do <em>Compte général</em>. Destaca-se como a primeira geração de criminólogos de dados (Lucas, Quetelet, Guerry) utilizou essa ferramenta para formular prototeorias da oportunidade e do controle social; em paralelo, figuras como Rossi e Candolle inauguravam sofisticadas críticas metodológicas. A resenha busca enfatizar a profunda originalidade e a relevância contemporânea da obra, demonstrando o impacto atual do debate sobre os fundamentos históricos da criminologia proposto por Kivivuori.</p>Fábio Luiz Nunes
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2025-11-172025-11-1720232933310.34019/2318-101X.2025.v20.49174Resenha do livro Pornotopia: um ensaio sobre a arquitetura e a biopolítica da Playboy
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<p>Paul Preciado, atualmente, é um grande nome quando se fala de Estudos de Gênero e Sexualidade. Assim sendo, o lançamento dessa edição do livro <em>Pornotopia</em> se mostra algo de valor para os que estudam tal tipo de temática. Para nós, o curioso aqui é como Preciado decidiu dar enfoque para a questão da arquitetura e como isso dialoga com a sexualidade, biopolítica etc. Quando se fala de Playboy, obviamente, a primeira coisa que se pensa não é na arquitetura, afinal, o que, quase, sempre chama mais atenção são as mulheres peladas. O projeto, assim, possui algo de foucaultiano, de quando Foucault decide estudar as estruturas físicas dos lugares, como a prisão em modelo panóptico ou as celas dos mosteiros. O argumento do autor é que a Playboy constitui parte do imaginário, da estética e da sexualidade etc. do século XX maior do que poderíamos pensar, em uma primeira análise. Sendo uma espécie de 3<sup>a</sup> via, de heterotopia, entre o conservadorismo da sociedade branca, suburbana americana dos anos 50, e toda uma revolução de costumes e sexual que estava tomando curso no pós-guerra.</p>Mário Jorge de PaivaGUSTAVO CRAVO DE AZEVEDO
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