Teoria e Cultura
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<p><strong>Teoria e Cultura </strong>é uma publicação anual em fluxo contínuo do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Juiz de Fora. Está classificada em estrato superior (A4) pela última avaliação Qualis CAPES (2021-2025). É destinada à divulgação e disseminação de textos na área de Ciências Sociais (antropologia, ciência política e sociologia). O projeto editorial contempla artigos científicos (manuscritos originais), ensaios, resenhas, entrevistas e traduções de textos da área de ciências sociais. A revista publica predominantemente em português e é aberta a outras línguas como inglês, espanhol e francês.</p>EDITORA UFJFpt-BRTeoria e Cultura1809-5968Folha de Rosto
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<p>Folha de Rosto</p>Dmitri Cerboncini
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2026-03-072026-03-0721120 anos de Teoria e Cultura:
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<p>Editorial</p>Dmitri Cerboncini
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2026-03-072026-03-07211A presença de facções criminais no Nordeste brasileiro: entre diferenças e similitudes
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<p>Este dossiê apresenta um diagrama da expansão, semelhanças e diferenças das facções criminais no Nordeste brasileiro, reunindo pesquisas de jovens e experientes pesquisadores que se debruçaram na temática sob diferentes perspectivas teóricas, metodológicas e empíricas. Os artigos focam em objetos, simbologias e enunciados das facções criminais que atuam dentro e fora das prisões, descrevendo moralidades, práticas, éticas, mercados e que questionam e/ou problematizam novos conceitos no campo a partir de trabalhos etnográficos, ou de pesquisas que descrevem e analisam os impactos na política de Segurança Pública e Prisional a partir da imagem das facções criminais no Nordeste brasileiro.</p> <p><strong>Palavras-chave: </strong>Facções criminais. Nordeste brasileiro. Dinâmicas criminais. Mercados ilegais. Simbologias.</p> <p><strong> </strong></p>Francisco Elionardo de Melo NascimentoFrancisco Thiago Rocha VasconcelosJosé Douglas dos Santos Silva
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2026-03-072026-03-0721110.34019/2318-101X.2026.v21.51159As dinâmicas faccionais e a relevância do Ceará para o narcotráfico internacional
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<p>Este trabalho busca compreender e analisar as dinâmicas das facções no Ceará na última década (2015-2025), bem como demonstrar porque o território cearense é atualmente um local estratégico para o tráfico transnacional de drogas. A metodologia desta pesquisa baseia-se, sobretudo, em um mergulho etnográfico nas periferias cearenses nos últimos dez anos, com a utilização de métodos como a observação direta e participante em bares, botequins, campos de futebol, feiras, praças, casas de show, logradouros, entre outros locais; o registro de anotações no diário de campo; diálogos livres; entrevistas sistematizadas, etc. O artigo aborda inicialmente como era o agenciamento das facções no Ceará antes de 2015, ano que demarca uma mudança significativa, pois estes grupos passam a ocupar as periferias cearenses de maneira ostensiva. Em um segundo momento, a época da "paz" é analisada, momento no qual as facções entraram em armistício e os índices de homicídio caíram drasticamente no Estado, não por conta de uma política de segurança pública, mas devido a acordos entre grupos armados não estatais. Depois, o trabalho faz uma contextualização histórico-sociológica da "guerra" entre as facções no Ceará, que vem ocorrendo desde 2017, e salienta as principais transformações sociais nas relações criminais que emergiram desta neoconfiguração faccional. Por fim, a pesquisa aborda aspectos sociológicos e eventos factuais que demonstram que o Ceará é nos dias que correm um território de grande relevância para as facções no tocante ao narcotráfico internacional. </p> <p><strong>Palavras-chave: </strong>Facções no Ceará. Conflitos sociais. Narcotráfico internacional.</p>Artur Pires
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2026-03-072026-03-0721110.34019/2318-101X.2026.v21.50048Na rota, entre redes: violência contra as mulheres e facções criminais em João Pessoa/PB
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<p>O presente artigo visa analisar como as mulheres em situação de violência doméstica e inseridas, de forma direta ou não, nas facções urbanas, transitam entre as redes de proteção e punição de facções criminais, e entre as redes institucionais de enfrentamento a violência contra as mulheres. O objetivo geral é identificar como essas mulheres constroem estratégias jurídicos-políticas para resguardar suas vidas e não serem mortas. São manejadas, assim, noções de proteção e punição a partir do trânsito faccional-jurisdicional e da discussão sobre faccionalização da violência contra as mulheres.</p> <p><strong>Palavras-Chave: </strong>Facções Urbanas; Mulheres; Violência Doméstica.</p>LUISA LAIS CAMARA DA ROCHA
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2026-03-072026-03-0721110.34019/2318-101X.2026.v21.50027Efervescência criminal e rituais de morte: execuções faccionais em Timon (MA)
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<p>O presente trabalho analisa os Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLI) ocorridos na cidade de Timon (MA) e noticiados na imprensa local e regional entre janeiro e agosto de 2024. A partir da noção de configuração social de Norbert Elias e da releitura do conceito de efervescência coletiva em Émile Durkheim, desenvolve-se a categoria analítica de efervescência criminal, entendida como a intensificação das emoções e energias coletivas em torno de práticas delituosas, especialmente aquelas de caráter letal. A metodologia se baseia em fontes jornalísticas complementadas por inquéritos policiais e entrevistas, destacando os limites e precauções no uso das notícias como fonte de pesquisa. Os resultados apontam que os assassinatos cometidos pelo Bonde dos 40 em Timon não podem ser compreendidos apenas como eliminações estratégicas de inimigos, mas também como rituais simbólicos que organizam a vida social da facção, reforçam seus códigos de conduta e produzem coesão interna por meio da violência.</p> <p>Palavras-chave: crime, assassinatos, facção, efervescência criminal, ritual. </p>CARLOS DANIEL DA SILVA SANTOS
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2026-03-072026-03-0721110.34019/2318-101X.2026.v21.49990Narrativas Sobre “Criminalidade” e “Facções Criminosas” em Alagoas (Brasil)
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<p>O debate sobre as “facções criminosas” no Brasil tem sido majoritariamente produzido a partir da realidade do Sudeste, o que tende a invisibilizar dinâmicas próprias de outras regiões do país. Nos últimos anos, entretanto, pesquisas empíricas vêm se consolidando no Nordeste, destacando-se os trabalhos de Luiz Fábio Paiva (2019), que se tornaram referência para o estudo do tema e abriram caminho para novas investigações na região. Este artigo analisa o processo recente de surgimento das ditas facções em Alagoas, suas formas de atuação e as ressonâncias produzidas na sociedade local. A análise parte das narrativas construídas por diferentes atores — integrantes do mundo do crime, gestores governamentais e veículos de mídia —, com ênfase na emergência e na identificação de personagens considerados centrais nesse cenário. Por fim, discutimos o papel desses grupos criminais tanto no cotidiano quanto no imaginário social da cidade de Maceió.</p>SERGIO SANTOS
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2026-03-072026-03-0721110.34019/2318-101X.2026.v21.50047Balança polícia-crime e mercados ilegais antes e depois das facções em Maceió, Alagoas
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<p>O objetivo é compreender a transformação de conflitos locais antes e depois da presença de facções nacionais, numa quebrada em Maceió, Alagoas. A partir de pesquisa etnográfica e uma abordagem figuracional, analiso a chegada de facções e uma nova divisão de poder. Argumento que balanças de forças como as de periferias urbanas de Maceió precisam levar em conta as lógicas de reprodução da <strong>instabilidade</strong> de governos e mercados nas margens internas nacionais e regionais. Policiais de baixa patente e aliados de facção têm co-produzido normas, trocas e instabilidades na vida e na reputação das pessoas através de novas conexões marginais no Brasil.</p>Fernando Rodrigues
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2026-03-072026-03-0721110.34019/2318-101X.2026.v21.50086Uma “revolução” no crime? O surgimento da Massa Carcerária/Tudo Neutro (TDN) no Ceará
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<p>Este artigo analisa o surgimento da Massa Carcerária/Tudo Neutro (TDN) no Ceará, enfocando as estratégias de legitimação, identidade e reorganização ética do crime mobilizadas pelo coletivo em um campo de disputas materiais e simbólicas entre coletivos criminais e facções. A pesquisa se apoia em incursões etnográficas, entrevistas e documentos empíricos - mensagens, estatutos, registros judiciais e comunicados internos conhecidos como “salves” - para examinar como a TDN se diferencia e rivaliza com grupos já consolidados, como o Comando Vermelho (CV) e a Guardiões do Estado (GDE), ao mesmo tempo em que se apropria seletivamente de repertórios ideológicos do Primeiro Comando da Capital (PCC). A análise destaca a ressignificação da massa carcerária como repertório de liberdade relativa, neutralidade e cooperação, articulando práticas discursivas e simbólicas com estratégias de governança criminal. O estudo também enfatiza a relação entre políticas estatais de controle do crime e reorganizações internas dos coletivos criminais, mostrando como o sistema penitenciário atua simultaneamente como espaço de disputa, inovação organizativa e palco de construção de legitimidade.</p>FRANCISCO THIAGO ROCHA VASCONCELOSCláudio Marques Maia
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2026-03-072026-03-0721110.34019/2318-101X.2026.v21.50039“Com o Bonde não se vacila”: Governança criminal como arranjo híbrido de poder e produção de ordem nas periferias da Grande Ilha de São Luís – MA
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<p><span style="font-weight: 400;">O artigo analisa a atuação da </span><em><span style="font-weight: 400;">facção</span></em><span style="font-weight: 400;"> Bonde dos 40 (B40) nas periferias da Grande Ilha de São Luís (MA), explorando como esse grupo, originado no sistema prisional, se consolidou como instância de governança criminal capaz de mediar conflitos, impor normas e aplicar sanções. A partir de trabalho de campo etnográfico desenvolvido entre 2019 e 2025, o estudo apresenta cenas empíricas que revelam tanto a dimensão coercitiva e violenta de sua atuação quanto práticas de reconhecimento, negociação e pactuação que sustentam e legitimam a ordem faccional no cotidiano. Utilizando o conceito de governança criminal, o texto argumenta que o B40 opera um sistema normativo híbrido, articulando códigos próprios de conduta, como o conceito de </span><em><span style="font-weight: 400;">vacilo</span></em><span style="font-weight: 400;">, com dinâmicas locais de pertencimento e controle social. Essa forma de poder, situada e relacional, reorganiza o espaço social e simbólico das periferias, tensionando as fronteiras entre legalidade/ilegalidade, Estado/não Estado e violência/ordem. Ao evidenciar que a presença do B40 não se resume à ausência ou fragilidade estatal, mas compõe arranjos complexos de copresença, cooperação e disputa de soberania, o estudo contribui para compreender como diferentes formas de autoridade coexistem e se sobrepõem nas margens urbanas. </span></p>Thiago Brandão LopesSimon Rodrigo da Costa JaraLuiz Eduardo Lopes Silva
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2026-03-072026-03-0721110.34019/2318-101X.2026.v21.50040“Ofício de Faccionado”: Campo, Habitus e Sujeição Criminal dos agentes sociais do crime organizado no Estado do Ceará.
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<p>Objetivamente, esse estudo almejou discutir os processos de “cooptação” e de “sujeição criminal”, a gênese de uma possível “identidade faccional” e o desenvolvimento do <em>campo</em> <em>social</em> do crime organizado cearense. Para refletir essa problemática, a pesquisa fez uso metodológico da “Teoria dos Campos” de Pierre Bourdieu, de uma abordagem essencialmente qualitativa e de pesquisas bibliográfica e documental. Como conclusão, o estudo evidenciou que dentro do universo sociocultural das “facções” (coletivos criminais), a violência parece figurar como um catalisador de sentidos, ou seja, parece retroalimentar as significações do <em>crime</em> e funcionar como um instrumento fomentador de “identidades marginais”, através da incorporação de um <em>habitus</em> “banditivo”, da assimilação da lógica do crime organizado e da imposição de um processo de sujeição criminal externo (por meio da estigmatização social) e interno (por meio de autoafirmação). Ao final, o escrito também pontuou a emergência da <em>Sociologia</em> <em>Reflexiva</em> como possibilidade investigativa para o “fenômeno faccional”.</p>Ledervan Caze
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2026-03-072026-03-0721110.34019/2318-101X.2026.v21.49616Entre permanências e rupturas: o sistema prisional do Rio Grande do Norte após o Massacre de Alcaçuz e os modelos de gestão da vida e da morte nessa prisão
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<p>Neste artigo analiso as políticas de gestão prisional na prisão de Alcaçuz, localizada no Rio Grande do Norte, no período de 2017 a 2023. Reflito sobre o papel de dois atores externos que ganham importância nesse período, o Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à tortura (MNPCT) e a Força Tática de Intervenção Penitenciária (FTIP) e como pensam ser uma “boa” ou “má” gestão da vida e da morte nessa prisão. Busco mostrar como esses atores provocaram mudanças significativas nas dinâmicas prisionais, a despeito da continuidade de estruturas que perduram no tempo e parecem enraizadas. Por fim, busco refletir sobre quais projetos têm maior aderência e as consequências advindas desse processo para os custodiados e para nós, enquanto sociedade. </p>Juliana Gonçalves Melo
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2026-03-072026-03-0721110.34019/2318-101X.2026.v21.50128